Castelo Mendo faz parte do município de Almeida, um município também ele carregado de história. Esta pequena aldeia, outrora um importante concelho, apraz qualquer um que por ali se apresente. Local calmo, de tranquilidade, mas carregado de saberes e de uma longa narrativa.

O Mendo e A Menda

As figuras ornamentadas na pedra, espalhadas pela aldeia, alimentam as lendas e conferem a Castelo Mendo um misticismo destacado entre as mais místicas aldeias de Portugal. O Mendo e a menda são as mais populares figuras da aldeia. Duas figuras lendárias e enamoradas, segundo reza o povo.

Mendo Em Castelo Mendo
Mendo Em Castelo Mendo

Na parede da Antiga Domus Municipalis (antigo tribunal), num ponto elevado acima da porta, encontramos o Mendo, uma figura com um perfil que se assemelha ao de um homem.

Do outro lado rua, em posição frontal, numa pedra de uma casa térrea, encontramos a Menda, uma figura que se assemelha a uma mulher.

A história destas duas figuras é desconhecida… talvez seja a representação de uma grande paixão… um amor impossível com o destino cravado nas pedras de Castelo Mendo.

Caracterização

Se atualmente a localização de Castelo Mendo constituiu um travão ao seu desenvolvimento, foi noutras alturas a barreira de proteção de toda uma região.

Castelo Mendo é uma das Aldeias Histórica de Portugal. Ergue-se a cerca de 800 metros de altitude, sobre vestígios datados da Idade do Bronze e da época Romana. Está rodeada de muralhas reconstruidas no séc. XII por ordem de D. Sancho I rei de Portugal.

As muralhas têm seis portas medievais sendo a principal ladeada por dois berrões. O agregado de edifícios é constituído por casas simples em pedra, originalmente de dois andares, destinando-se o piso térreo ao gado, e o piso superior a habitação.

Porta Dos Berroes Castelo Mendo
Porta dos Berrões Castelo Mendo – Pedro Caetano

D. Sancho II mandou ampliar o castelo em 1229, e concedeu Carta de Feira à povoação, ordenando que esta se realizasse 3 vezes por ano. A Feira de Castelo Mendo foi a primeira feira a realizar-se regularmente no reino de Portugal. Em 1281 D. Dinis ordenou que passasse a ser feira franca com periodicidade anual. Podemos ainda encontrar na aldeia, o Alpendre da Feira no local em que a mesma possivelmente se realizaria.

Um pouco de encontro à lenda do Mendo e da Menda, a origem do nome da povoação deve-se ao primeiro alcaide D. Mendo Mendes nomeado por D. Dinis no séc. XIV. As figuras do Mendo e da Menda serão por isso representativas do Alcaide e da sua Esposa.

A aldeia de Castelo Mendo foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 1984.

Feira Medieval

Entre o mês de março e abril de cada ano, realiza-se naquele pequeno aglomerado populacional a maior festividade, que atrai normalmente muitos visitantes para a celebração, ou recordação da idade média naquela vila.

Para além de ser uma data a mantida, para que se preserve o historial desta pequena vila, esta feira é também um contributo importante na estratégia de tornar Castelo Mendo, e até o Concelho de Almeida, num potencial destino turístico e cultural, através da oferta de novas experiências e pela sua autenticidade.

Recuar no tempo durante um fim de semana, através de costumes medievais como é o caso dos cavalos pelas ruas, das tabernas espalhadas pelas arruamentos e barracas de artesanato são algumas das ofertas desta feira medieval.

História de Castelo Mendo

Não há certezas absolutas sobre as origens de Castelo Mendo. Uma teoria mais verosímil indica que a sua fundação deu-se no século XIII, altura em que o povoamento da região interior beirã alcançou maior dimensão e em que a consolidação militar da fronteira determinou a construção de fortalezas secundárias de apoio e de defesa do território.

Terá sido neste contexto que se verificou o primeiro foral da vila, outorgado por D. Sancho II a 15 de Março de 1229, numa altura em que as zonas de Riba-Côa eram ainda um ponto de guerra entre Portugal e Espanha.

Castelo Mendo, Portugal
Castelo Mendo, Portugal

O que resta da fortaleza medieval data de D. Dinis. Há por isso autores que defendem que o verdadeiro fundador de Castelo Mendo foi o Rei Lavrador que em 16 de Dezembro de 1281 confirmou o foral de D. Sancho II e dois dias depois, instituiu uma feira.

Castelo de Castelo Mendo

O castelo é um exemplar de arquitetura militar, românica e gótica, posicionado estrategicamente num cabeço sobranceiro ao ribeiro de Cadelos na margem esquerda do rio Côa.

Integra dois núcleos urbanos muralhados, destacando-se o recinto do castelo na zona mais elevada. É rodeado por vertentes escarpadas com numerosos afloramentos rochosos e sem edificações, à exceção da zona adjacente ao caminho de acesso à Porta da Vila.

O conjunto é composto por duas cinturas muralhadas de traçado ovalado e irregular, apenas com alguns panos parcialmente ruídos e integrando diversas construções adossadas ao lado interno.

José Saramago em “Viagem a Portugal”

José Saramago faz uma representação fiel de Castelo Mendo em «Viagem a Portugal»:

«A primeira paragem do dia é em Castelo Mendo. Vista de lado é uma fortaleza, vila toda rodeada de muralhas, com dois torreões na entrada principal. Vista de perto é tudo isto ainda, mais um grande abandono, uma melancolia de cidade morta.

Vila, cidade, aldeia. Não se sabe bem como classificar uma povoação que tudo isto tem e conserva.

O viajante deu uma rápida volta, foi ao antigo tribunal, que na altura estava em restauro e só para mostrar as barrigudas colunas do alpendre, entrou na igreja e saiu, viu o alto Pelourinho, e desta vez não foi capaz de dirigir palavra a alguém.

Havia velhas sentadas às portas, mas em tão grande tristeza que o viajante deu em sentir embaraços de consciência. Retirou-se, olhou os arruinados berrões que guardam a entrada grande da muralha, e seguiu caminho.»

Património de Castelo Mendo

Património Classificado:

– Castelo de “Castelo Mendo” (Decreto Lei N.º 35/443 de 21-01-1946) – Românico e Gótico / séc. XIII / XIV (Conjectural)
– Aldeia de Castelo Mendo (Decreto N.º 29/84 de 25 de Junho) – Medieval
– Pelourinho de Castelo Mendo (Decreto N.º 23/122 de 11-10-1933) – Estilo Manuelino / séc. XVI

Vista da Praça Central com Igreja e Pelourinho
Vista da Praça Central com Igreja e Pelourinho

Património Edificado de Castelo Mendo:

– Chafariz D’El Rey – Periurbano / séc. XIV / XIX (Conjectural)
– Fonte Nova – Periurbano / Fonte de Mergulho Gótica / séc. XIV (Conjectural)
– Fonte Velha – Periurbano / Fonte de Mergulho Românica / séc. XIII (Conjectural)
– Fonte Estrufa – Fonte de Mergulho / séc. XIII (Conjectural)
– Antiga Casa da Câmara e Cadeia – Intramuros / séc. XVII (Conjectural)
– Casa Quinhentista da Rua Direita – Intramuros / séc. XVI
– Casa de Alpendre Quinhentista da Rua Direita – Intramuros / séc XVI
– Casa Manuelina da Rua Direita – Intramuros / séc. XVI
– Casa Manuelina da Rua do Castelo – Intramuros / séc. XVI
– Casas Manuelinas da Rua do Forno – Intramuros / séc. XVI
– Casa de Balcão Alpendrado da Rua do Palheiro – Intramuros / séc. XVII (Conjectural)
– Casa de Varanda Alpendrada do Largo do Pelourinho – Intramuros / séc. XVI / XVII (Conjectural)
– Casa do Fidalgo da Rua Direita – Intramuros / séc. XIX (Conjectural)
– Casa Filipina da Rua da Praça – Intramuros / séc. XVI (1596)
– Casa Filipina do Largo de S. Vicente – Intramuros / séc. XVI (1595)
– Casa Manuelina do Largo de S. Vicente – Intramuros / séc. XVI

Património Religioso de Castelo Mendo:

– Ruínas da Igreja de St.ª Maria do Castelo – Intramuros / Românico e Mudéjar / séc. XIII / séc. XVI (Conjectural)
– Igreja de S. Pedro – Intramuros / séc. XIX (Conjectural)
– Igreja de S. Vicente – Intramuros / séc. XIII / XVI / XVII (Conjectural)
– Capela do Cemitério – Periurbano / séc. XVI
– Calvário – Periurbano / séc. XIX (Conjectural)
– Cruzeiro – Periurbano / séc. XVII / XVIII (Conjectural)
– Alminha Devocional – Periurbano / XVIII / XIX (Conjectural)
– Cruzeiros junto ao Alpendre – Periurbano / séc. XIX

Património Arqueológico e Etnográfico:

– Alpendre de Feira – Periurbano / séc. XIII / XIV (Conjectural)
– Pombal junto ao cemitério – Periurbano / séc. XIX (Conjectural)
– Pombal junto à Porta da Vila – Periurbano / séc. XIX (Conjectural)
– Forno Comunitário – Intramuros / séc. XVIII / XIX (Conjectural)
– Calçada da Ribeira dos Cadelos – Periurbano – Romano e Medieval
– Povoado da Idade do Bronze Romanizado (Castro) – Intramuros (séc. XI-X a.c até ao séc. I a.c)
– Berrões ou Verracos – Intramuros – Idade do ferro (séc. IV / I a.c) até à Romanização
– Relógio de Sol no Paraizal – Urbano – / séc. XIX (1869)

Património Natural e Lazer:

– Paisagem sobre a Ribeira dos Cadelos até ao Rio Côa (Porto de S. Miguel)

Onde dormir

Podemos falar do Cró Hotel Rural & Spa, sítio que já abordamos num outro artigo a diversidade e a sofisticada qualidade dos espaços e do atendimento. Aqui poderá conhecer outro ponto do interior, mais especificamente desta região. Uma ótima oportunidade para experiências encantadoras.

Também aqui já lhe falamos o Colmeal Countryside Hotel que está localizado em Figueira de Castelo Rodrigo, a 50 km de Ciudad-Rodrigo (Espanha). O hotel dispõe de um terraço para banhos de sol e de uma sauna. Um local de descanso e paz que é indicado para quem recorre ao interior para relaxar!

Onde Comer

O restaurante Caçador em Malpartida, no concelho de Almeida, é uma ótima opção pois recebe bem os seus clientes, são atenciosos, simpáticos e o espaço é acolhedor. A comida é excepcional, um naco de vitela servido no “ponto” a carne é suculenta e tem um sabor divinal. Já o bacalhau gratinado é sedoso e super apetitosa, de fazer qualquer um salivar.