https://www.flickr.com/photos/jotacartas/4179485346/in/photolist-7yXAkG-7waSSH-7waSnT-7yXE91-7yXAcC-7yXANj-7wasFR-7wZk4L-7yTWAR-7yTSHn-7T27He-7waVH6-7n5ATz-88KdMX-7wbeGr-7n9uKA-7weHKQ-7weGA1-7weG3J-81EEm9-7T5tzW-7weJVm-81EFgu-7yTW92-7yTWov-88KdmR-7waWqn-7weEH5-7weECm-7yTVUv-7B7pkT-7weJCA-7njXob-8quhMM-8qxqzS-7pdxkG-7yURNK-7weGjS-7T5sFu-7T2bnF-7yT623-8quukr-7weF19-7T5qvs-7yPjkZ-7cYvrE-8qxxWh-7njEW5-7nkA57-7TgfDx

Uma maravilha chamada Castro Laboreiro

Pertencente ao Parque nacional da Peneda-Gerês, Castro Laboreiro é um local de importância em Portugal, quer pela sua história, tradições e pelos costumes.

Uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal (eleita em 2010), este local é reconhecido pela raça do cão tipicamente português com o mesmo nome da aldeia. Contudo, este local remoto é ainda referenciado pela natureza, graças à Reserva do lobo ibérico e refúgio dos cavalos garranos que tanto atrai os turistas.

Local de passagem obrigatória a quando de uma visita ao Gerês, Castro Laboreiro é sitio de regresso às origens e de desfrute do melhor que a natureza e vida selvagem em Portugal tem para lhe presentear.

Situada a noroeste do território nacional, mesmo no término do distrito de Viana do Castelo, no concelho de Melgaço, Castro Laboreiro ergue-se em plena serra da Peneda, local invernoso e acidentado.

Castro Laboreiro - Panorâmica

Castro Laboreiro – Foto de Pedro Carvalho

Toda a aldeia tem aspetos bastante marcantes de religião, havendo capelas em muitos lugares da freguesia, a Igreja Matriz, o Pelourinho, datado do século XVI, igrejas medievais, os fornos comunitários, os espigueiros e os moinhos, testemunhos da cultura castreja (cultura associada ao séc. VI a.c. e com predominância no noroeste de Península Ibérica).

Dedicados ao pastoreio e ao gado, têm ainda na raça de cão Castro Laboreiro mais uma manifestação dessa forma de vida, património dessa cultura. O facto das condições climáticas serem adversas fez com que a produção e desenvolvimento desta aldeia diminuíssem, e consecutivamente a sua população também.

Atividades em Castro Laboreiro

Canyoning em Castro Laboreiro

Canyoning em Castro Laboreiro – Foto de Jeff Souville

Em família, a dois ou com um grupo de amigos, a oportunidade de desfrutar de atividades radicais mas em segurança, é o que Castro Laboreiro tem para si. Através da empresa Montes de Laboreiro, conseguirá apreciar o património natural da região, divertir-se e quebrar a monotonia. Os preços variam e as atividades também, portanto não perca a oportunidade de se regalar com atividades tão únicas como as que lhe são oferecidas.

Outrora abordamos a beleza natural do Gerês, onde igualmente enumeramos locais de repasto e de estada. Nunca são demais relembrar para que ao planear a sua visita possa ter uma opção de escolha bem mais variada.

Relativamente à oferta gastronómica, “os pratos típicos incluem carne de cabrito, bifes de presunto, enchidos, broa de centeio e broa milha. Há ainda dois doces típicos: o bucho doce e a sopa seca de pão duro”.  (Aldeias de Portugal)

8 Lugares em Portugal que combinam natureza e lazer

Na cauda da Europa, Portugal detém uma extensa costa marítima, repleta de praias, mas também detém amplas planícies, grandiosas montanhas, e ainda as pérolas do atlântico, os magníficos arquipélagos da Madeira e dos Açores. A natureza é rainha por estas bandas.

Lagos - Algarve

Lagos – Algarve

Região do Douro

A mãe natureza abençoou Portugal, chegando mesmo a roçar a perfeição… Para lhe comprovar tal afirmação começamos por lhe falar do Douro, que segundo um dos jornais mais influentes do mundo, o New York Times, A região do Vale do Douro, tem tanto a seu favor que chega a ser ridículo”.

De visita obrigatória este território tem para lhe oferecer paisagens indescritíveis, fauna e flora singular, bom vinho, boa mesa e ainda passeios de barco irresistíveis.

Parque Nacional da Peneda Gerês

Mas a beleza natural portuguesa é transversal a todo o território nacional. O Gerês é outro bom exemplo. Desta vez foi o jornal britânico The Guardian que considerou o parque da Peneda-Gerês “uma área de beleza natural e um testemunho da ocupação romana, com as suas estradas e marcos com dois mil anos”. Para além de todos estes atributos, o Gerês é ainda o “Rei” das caminhadas organizadas, com mais de uma centena de atividades anuais.

Curso de Água na Serra da Estrela

Curso de Água na Serra da Estrela

A majestosa Serra da estrela

No ponto mais alto de Portugal continental o mistério e majestosidade da bela Serra da Estrela são por si só adjetivos suficientes para conhecer cada recanto. Mas atributos como os desportos de inverno, a neve, e a gastronomia farão com que se apaixone pela maior montanha em Portugal.

Fotografias por Manuel Ferreira

Como pode comprovar em apenas três regiões tem mais do que razões suficientes para arranjar algum tempo, convidar a família e partir à descoberta deste nosso Portugal. Mas muito está por ser desvendado, nós aqui apenas lhe apresentamos o que já é de simples acesso. O melhor é partir à descoberta…

Passadiços do Paiva em consonância com a natureza

Em 2015 foram inaugurados os Passadiços do Paiva, no concelho de Arouca. São oito quilómetros pelo interior do vale do rio Paiva que permitem um contacto único com a natureza. A inauguração decorreu em junho e desde essa altura foram percorridos, diariamente, por milhares de pessoas. Para este ano de 2016 está marcada a reabertura, agarre a oportunidade, desfrute desta aventura e descubra a maravilha Arouquense.

Serra da Arrábida, entre a terra e o mar

Mais a sul, a serra da Arrábida é o local mais completo para quem é amante de serra e de mar. Esta zona consegue aliar o que de melhor existe entre o verde da serra e o azul do mar. Aqui não poderá deixar de passear de barco no Estuário do Sado, descobrir as praias da Arrábida, percorrer os trilhos da serra da Arrábida  e claro, deliciar-se com um peixe grelhado fresquinho.

Pixabay

Serra da Arrábida – Setúbal

Alentejo é Zen

Mas se pedissem para caracterizar o Alentejo, todos diriam que ele é Zen. O Alentejo é sol, é o caiado das casas, é a história e cultura, é o gaspacho, é o vinho, é a calma alentejana, são as planícies a perder de vista. O Alentejo é enorme, no total sentido da palavra, quer em território, quer em beleza, quer nas gentes! Mas para o lazer esta região soma pontos relativamente às anteriores devido à planura, que facilita os passeios a pé ou de bicicleta, ou de cavalo, um símbolo que faz parte do local.

Arquipélago da Madeira

Hiking - Ilha da Madeira - natureza

Hiking – Ilha da Madeira

A faustosa ilha da Madeira é um local onde encontra o que pretender. Passará do luxo do Funchal para a singularidade do Pico Ruivo. Com os seus 1862 metros de altitude, o Pico Ruivo é a terceira montanha mais alta de Portugal. A fauna e flora que aqui irá encontra não verá em mais lado nenhum, isto porque o clima na ilha é diferenciado por natureza de qualquer outro local em Portugal. Por isso, não perca tempo, marque as próximas férias para esta maravilha e desfrute do que melhor a apaixonante ilha da Madeira tem para si.

Se prefere o sol e a praia então visite Porto Santo… vai ficar maravilhado com uma das mais belas praias do mundo.

Arquipélago dos Açores

Santa Maria - Açores

Santa Maria – Açores

Para o final deixamos-lhe a diamante português, os Açores. Quando falamos em natureza, é obrigatório referir esta pedra preciosa no meio do atlântico. O que deve conhecer nos Açores? Pergunta bem… Tudo! Cada uma das 9 ilhas tem a sua magia e particularidade.

Do envolvente azul oceânico, aos campos verdejantes, dos passeios entre ilhas, passando pela tranquilidade das gentes açorianas ou pela gastronomia, tudo é bonito de ser ver. Se procura paz e relaxe não encontrará local mais indicado que os Açores.

As experiências renovadas do Vale do Côa

Uma marca de viagens internacional, a Travel + Leisure, distinguiu o Vale do Côa como uma região que está a transformar as experiências na natureza.

Segundo o artigo “por mais de 22.000 anos, os seres humanos têm ocupado esta terra- a arte rupestre do Paleolítico são a prova. Mas nas últimas décadas, os locais históricos foram abandonados, com as pessoas a migrarem para áreas mais metropolitanas”. No Vale do Côa conhecem-se mais de mil rochas com manifestações rupestres, em mais de 70 sítios diferentes, com predomínio das gravuras paleolíticas.

Com o êxodo rural abriu-se espaço para a reflorestação e para o regresso de muitas espécies, tais como, as águias cobreiras, o gado selvagem, cavalos e “com o tempo os lobos ibéricos podem retornar também. Do outro lado da fronteira, em Espanha, há passeios de observação de lobo em curso” declara o artigo.

Mas enquanto isso não é possível, os apaixonados pela natureza podem sempre aproveitar a Reserva da Faia Brava. Este pedaço de terra no leste de Portugal, renovou a filosofia ambiental, de forma a restaurar antigos habitats. Esta reserva engloba um dos núcleos nacionais mais importantes de aves rupícolas e abrange parte da mancha de sobreiros mais extensa do Distrito da Guarda. A última espécie a regressar a este local foi a cegonha preta. Na reserva encontrará atividades como o Birdwatching e passeios pedestres (dentro de trilhos, rotas e percursos).

Abutre - Reserva da Faia Brava

Abutre – Reserva da Faia Brava

Embora grande parte da região esteja rendida às espécies nativas, ainda há muita cultura e história para os viajantes desfrutarem no Vale do Côa. Aqui poderá saborear o vinho das mais deliciosas vinhas que o Douro estimula. Nesta região irá saborear dos melhores azeites, das melhores amêndoas, ou até o melhor borrego.

De alguma forma, numa região repleta de pessoas, uma faixa de terra emergiu como um santuário para a flora e fauna mais resilientes de Portugal.

Rio Zêzere - Covão d’Ametade

Covão d’Ametade, um dos mais bonitos quadros da Serra da Estrela

Esboçou-o uma antiga lagoa de origem glaciar, definindo uma pequena planície como fundo. Pintou-o a Natureza, adicionando o fundo verde dos cervunais e as cores quentes da floresta de bétulas.

É aqui que, acabadinho de nascer e guardado pelos imponentes cântaros, o rio Zêzere inicia o seu percurso, a 1420m de altitude, seguindo em direção ao vale glaciar a que dá nome.

 

Fotogaleria por Manuel Ferreira Photography

 

O Covão d’Ametade situa-se no sopé do Cântaro Magro. É permitido o campismo mas são exigidos alguns cuidados na preservação da vegetação.

 

“A bruma subia cada vez mais deixando a descoberto os medonhos contrafortes do berço do Zêzere. Uma rotunda imensa, grave, misteriosa, de contornos imprevisíveis, começava a aparecer, como se as névoas do princípio do Mundo a abandonassem de vez. Iam-se desvendando enormes moles de granito, ao fundo, à direita, à esquerda, pedras de todos os milénios, bastiões de um só bloco e rude traça, que se apresentava soberba, numa majestosa solenidade. Essa muralha ciclópica e irregular, cheia de arestas, de vincos, crescia rapidamente, através do nevoeiro que se retirava. Cada vez se apresentava mais alta, mais arrogante cada vez – e assim tapada nos cimos dir-se-ia não ter fim.

[…]

O anfiteatro colossal em que eles se encontravam exibia-se agora, em toda a sua imponência. Era de uma grandiosidade áspera, severa, essa rotunda propícia para um templo de mitos alpestres. Estava metida entre assombrosas florações de granito e terminava no Cântaro Magro que lembrava a carcassa de imensurável castelo de outrora, do qual se aproximassem fulminantes coriscos.

Dir-se-ia que a natureza quisera defender e impregnar o mistério da nascente do Zêzere – fechando-a como uma fortaleza. E, contudo, parecia que o rio fora apenas um pretexto. Era uma pobre, trémula fila de água, ora muito estreita, ora mais larga, ás vezes quase invisível, que se lançava lá do alto por um sulco ou diáclase da rocha negra, aberta para lhe dar melhor caminho. Ao seu lado, porém, tudo se agigantava”.

Ferreira de Castro, em “A Lã e a Neve”

 

O Covão d’Ametade faz parte de um dos circos glaciários que alimentavam o Vale Glaciário do Zêzere, onde corre atualmente o rio que lhe dá nome, conjuntamente com o Covão Cimeiro, a montante e o Covão da Albergaria a jusante.

Corte - Circo Glaciário

Corte – Circo Glaciário

É um lugar privilegiado para campistas que procuram uma base para as suas caminhadas na descoberta do planalto superior, alguns dos trilhos de referência situam-se nas proximidades do parque.

Sem dúvida um ponto de referência da Serra.

Latitude: 40.3282057 | Longitude: -7.5881282

 

Lagoa do Vale do Rossim

Vale do Rossim… Que lugar soberbo…

Além da água translucida e do ar puro podemos encontrar no Vale do Rossim todos os condimentos necessários para um dia bem passado… ou um fim-de-semana… ou o tempo que entendermos…

Esta lagoa artificial, construída na Linha de Água da Ribeira da Fervença, foi concluída em 1956 e permitiu que fossem criadas à sua volta um conjunto de condições que transformam este sítio numa das melhores zonas de lazer em toda a Serra da Estrela.

Vale do Rossim - Manuel Ferreira Fotografia

Vale do Rossim – Manuel Ferreira Fotografia

Ao longo dos anos têm sido criadas e melhoradas as infraestruturas circundantes. Existe um Restaurante, um Bar e o Parque de Campismo foi modernizado recentemente (Vale do Rossim Eco Resort). Há ainda a possibilidade de prática de desportos aquáticos e/ou radicais.

Em Agosto o “Vale do Rossim” transforma-se num ponto de romagem com muita gente à procura da frescura da água da lagoa. Pessoalmente gosto de visitá-lo em épocas menos movimentadas… em que posso desfrutar de alguns sons que só a tranquilidade possibilita. Se gosta de fotografia visite-o também no Inverno.

É um excelente sítio para caminhadas… Eu aconselho uma volta completa ao espelho de água e se ainda se sentir em forma pode sempre optar por uma visita ao Lagoacho (cerca de 4 Km). É importante levar calçado adequado e uma reserva de água.

Lagoacho

Lagoacho

Os praticantes de pesca desportiva pode pescar truta fário, trutas arcoíris e perca sol na lagoa do vale do rossim. Devem ter em atenção que a pesca neste local está sujeita a regulamentação especial que deve ser consultada no site do ICNF. O local é também interessante para os observadores de aves.

Latitude: 40.3997487 | Longitude: -7.5854236

O “Vale do Rossim” fica situado nas Penhas Douradas no Concelho de Gouveia. Equidista cerca de 20 Km de Gouveia, de Seia e de Manteigas. Aproveite para Explorar as Penhas Douradas. Vai encontrar algumas construções peculiares e paisagens de cortar a respiração.

Covão da Ponte ou “A Castanheira” na Serra da Estrela

Quando era mais jovem costumava acampar com os meus amigos no Covão da Ponte na Serra da Estrela. Um lugar comumente conhecido como “A Castanheira”.

O Covão da Ponte, ou “A Castanheira”, é um dos sítios de excelência da Serra da Estrela. Plantado a 970m de altitude, ainda no Concelho de Manteigas mas no limite com o de Gouveia, é ponto de passagem do Rio Mondego na parte inicial do seu percurso. Dista cerca de 10 Km da Vila de Manteigas e da aldeia de Folgosinho e 30 Km do Planalto da Torre.

Um misto de beleza natural e humanizada, no Covão da Ponte encontra os espaços verdes que lhe permitem desfrutar de momentos relaxantes em contacto com a natureza e embalado pelos chocalhos dos rebanhos que por ali pastam.

As searas de centeio de altitude são mosaicos em tons de dourado e castanho e são o exemplo do ecossistema criado pelo Homem que fornece um habitat para diversas espécies cinegéticas.

Cumplicidade - Covão da Ponte

Cumplicidade – Covão da Ponte

É o local ideal para quem pretende passar um dia tranquilo em plena harmonia com a natureza. Aproveite para caminhar ao longo do Rio Mondego. Visite ali perto a Capela de Nossa Senhora do Carmo, os Casais de Folgosinho e a Capela de Nossa Senhora de Assedasse.

É um lugar muito especial. Cada vez que o visito sinto-me nostálgico. Recordo com uma amálgama de alegria e saudade os Verões que ali passei. O campismo selvagem… os banhos de água gelada… as tempestades… os amigos que me acompanharam… os amigos que já partiram… a agitação que era o fim-de-semana, com gente de todo o lado, carregada com a indispensável merenda… a pureza das pessoas que por lá perto habitam… histórias…

Covão da Ponte ou Castanheira na Serra da Estrela

Covão da Ponte ou Castanheira na Serra da Estrela

A aura deste lugar é confortante e revitalizante. Com uma beleza natural incrível é um quadro pintado com cores diferentes a cada estação do ano…

O Parque de Campismo do Covão da Ponte

Longe vão os tempos em que se praticava “Campismo Selvagem” neste local. Atualmente o Parque de Campismo do Covão da Ponte disponibiliza aos campistas todas as condições para que a sua estadia seja mais confortável e segura. O Parque está completamente integrado na natureza e procura preservar o espaço circundante e as suas características.

(Deve confirmar sempre se o parque de campismo se encontra a funcionar junto da entidade responsável)

Coordenadas

Latitude: 40.4426612 | Longitude: -7.5157164

 

Pixabay

“A serra da Estrela é uma personalidade”

O ponto mais alto de Portugal Continental não é apenas e só o lugar mais alto. A serra da Estrela em toda a sua grandiosidade é um aglomerado de vida, magia e de muitos locais ainda por descobrir.

O maciço da Estrela é normalmente o centro das atenções no inverno, tornando-se ainda mais majestosa coberta pelo seu manto branco devido à queda de neve. No entanto, é depois do degelo que a maioria dos sues segredos e riquezas se colocam ao olhar dos mais curiosos.

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Serra da Estrela

Mãe de três importantes rios nacionais, a Serra da Estrela faz brotar o Mondego, o Zêzere e o Alva, é por entre vales glaciares e altos montanhosos, por fios de água e nascentes que maravilhas naturais acontecem.

Em pleno centro do país, alcançando o ponto mais alto do território continental, a serra da Estrela é atraente pelos seus imensos bosques, pelos seus imponentes rochedos, pelo queijo artesanal, a lã, os pastores, e por toda a vida que dela nasce.

A esta serra que há  muito chamam de Estrela, os romanos deram o nome de “Herminius mons” – os montes de Hermes, que ainda hoje uma zona serrana é referida como Montes Hermínios.

A imponente montanha portuguesa foi ainda assunto num dos contos mais conhecidos em todo o mundo, falamos do Moby Dick. No 41º capítulo de Herman Melville, o autor menciona os “prodigies related in old times of the inland Strello mountain in Portugal (near whose top there was said to be a lake in which the wrecks of ships floated up to the surface)” [Aqui, a verdade da vida iguala a lenda, mesmo quando se trata de uma velha história como a da serra da Estrela em Portugal, onde se diz existir perto do cume um lago em cuja superfície flutuam as carcaças de navios naufragados no oceano (…), Ed. Relógio d’Água].

Mas a história da Estrela é mais longínqua, e vem da era antes de cristo, com o seu herói Viriato. Vercingétorix ibérico, foi chefe, pastor-guerreiro da serra da Estrela que atacou as tropas de Roma nos cumes da montanha. Exemplo de um povo serrano e beirão. Exemplo de gentes de verdade.

Engane-se quem pensa que deste lugar frio e agreste brotam apenas rios, neve e vida natural. A intelectualidade também nasceu na serra. O “escritor dos afetos”, sim esse mesmo, António Alçada Baptista é um dos principais autores serranos.

Mas a serra pode ser lida ainda em obras de Vergílio Ferreira, natural de Melo, concelho de Gouveia, autor da “Manhã Submersa”. No livro “A Lã e a Neve” de Ferreira de Castro (1918-1974) encontramos ainda um romance sobre os trabalhadores da indústria de lanifícios. Também Aquilino Ribeiro (prosador português do Sec.XX) dizia num dos seus poemas que “A serra da Estrela é uma personalidade”.

Contudo, existem algumas realidades indissociáveis da Estrela, como são os sabores. O cabrito é rei da mesa dos serranos. Manda também numa mesa serrana espera-se que haja enchidos feitos na montanha. Já o arroz de carqueja é gastronomia nativa (para quem não conhece, a carqueja é uma planta medicinal que cresce na serra). Os lugares de prova são muitos e é difícil encontrar um mau restaurante na serra da Estrela.

Imperdoável será visitar a montanha e não provar o tão conhecido queijo da serra, acompanhado por um bom copo de vinho tinto e pelo pão cozido no forno.

O queijo é realmente uma das coroas da majestosa Estrela, mas a primeira referência a esta iguaria remonta a Gil Vicente, pai do teatro português. O singular produto, provavelmente introduzido pelos romanos, é um queijo curado e amanteigado. Produz-se com leite de ovelhas das raças Bordaleira Serra da Estrela e Churra Mondegueira.

Outro dos símbolos da montanha é o tão conhecido Cão Serra da Estrela. De grande porte, conhecido como companheiro, afável e destemido, o cão da serra é associado ao “guarda” rebanhos. Com muito pêlo, habituado ao frio serrano, cão muito genuíno, nunca abandona o deu dono nem o seu trabalho. O animal tem como objetivo proteger o rebanho, conduzi-lo serra acima e no caminho de regresso a casa.

Este trabalho era e é bastante precioso. Isto porque é a partir desta produção que a matéria-prima mais valiosa da região advém, estamos a falar da lã, a pura lã. Todo o processo é feito na Estrela – a tosquia, o desemaranhar, o fiar, o tecer. Tudo aqui é único. A indústria, o artesanato, o comércio com as mantas, as luvas, os casacos de pastor, os coletes, ou as pantufas. Conforto e genuinidade é o que de melhor existe para lhe oferecer nesta região.

O cume da montanha é o lugar mais procurado pelos turistas na época invernal. Um local privilegiado para os bonecos de neve mas também para a prática dos desportos de inverno (Ski, snowboard, trenós, entre outros…). Lá em cima encontrará várias pistas, num complexo amplo e modernizado. Fora do inverno, ski e snowboard podem ser praticados todo o ano no Skiparque de Manteigas. Mas os desportos na serra não se estreitam apenas ao ski e snowboard, muito pelo contrário. Nas outras estações, os desportos são muitos mais vastos. Rios brotam serra abaixo, e nada mais apropriado do que usufruir de vários trechos para canoagem.

O parapente é outro desporto rei na Estrela. Em Manteigas ou Linhares da Beira poderá encontrar ou escolas ou festivais específicos desta modalidade. Mas a modalidade soberana em tempo mais ameno, é sem dúvida alguma, as caminhadas. Com infindas rotas já delimitadas a serra oferece-lhe trilhos pelas lagoas, pelos Vales Glaciares, pelos bosques…
Na região serrana é possível passar várias semanas a passear e mesmo assim não conhecer tudo que ela envolve. A multiplicidade no turismo cultural é deslumbrante: as Antigas Judiarias, as Aldeias Históricas de Portugal, as Aldeias de Xisto, os castelos, os museus e monumentos. No turismo de ambiente e de desporto, a região é um dos locais portugueses de exceção.

Como pode constatar, quer visite a serra no verão ou no inverno, no outono ou na primavera, seja qual for a sua escolha, uma coisa será sempre garantida, o enamoramento pela majestosa serra da Estrela, o encanto pela neve, a paixão pelos desportos de inverno, pelas suas paisagens ou pelos seus segredos, algum destes atributos o farão regressar, abraçar novas aventuras e querer desfrutar ainda mais desta maravilha natural de Portugal.

Serrano - Cão Serra da Estrela

O Cão Serra da Estrela

O Cão Serra da Estrela é uma raça canina portuguesa que, como o seu nome indica, teve a sua origem nessa região montanhosa. Foi aí que os animais que lhe deram origem se fixaram e, após múltiplas adaptações, conseguidas em gerações sucessivas, foram ganhando as suas características próprias. Read more

Serra da Estrela, fonte de todas as verdades locais

Sobre a Beira e a Serra da Estrela falava assim Miguel Torga…

“Alta, imensa, enigmática, a sua presença física é logo uma obsessão. Mas junta-se à perturbante realidade uma certeza ainda mais viva: a de todas as verdades locais emanarem dela. Há rios na Beira? Descem da Estrela. Há queijo na Beira ? Faz-se na Estrela. Há roupa na Beira? Tece-se na Estrela. Há vento na Beira? Sopra-o a Estrela. Há energia elétrica na Beira? Gera-se na Estrela. Tudo se cria nela, tudo mergulha as raízes no seu largo e materno seio. Ela comanda, bafeja, castiga e redime. Gelada e carrancuda, cresta o que nasce sem a sua bênção; quente e desanuviada, a vida à sua volta abrolha e floresce. O Marão separa dois mundos — o minhoto e o transmontano. O Caldeirão, no pólo oposto de Portugal, imita-o como pode. Mas a Estrela não divide: concentra.”

A Serra da Estrela é um lugar… perdão, um conjunto de lugares absolutamente fantásticos. A variedade é inigualável e transporta qualquer visitante para a sua própria história.

Perdoem-me a paixão com que falo desta “terra”! Não o faço apenas por ser serrano, faço-o principalmente porque cada vez que resolvo “subir a serra” me vejo envolvido num enredo de uma história completamente diferente.

Covão da Ponte - Serra da Estrela

Covão da Ponte – Serra da Estrela

Já houve romances… já houve aventuras… já houve comédias e até tragédias… Os atores destas histórias foram vários mas a protagonista foi sempre a mesma… A Serra.

É impressionante o poder que ela tem para conduzir a nossa mente… é irreal a forma como nos faz sentir os elementos quando respiramos, imaginar seres místicos quando observamos, criar fantasias enquanto saboreamos, cantarolar enquanto ouvimos ou recordar quando tocamos…

Aqui, a verdade da vida iguala a lenda, mesmo quando se trata de uma velha história como a da Serra da Estrela em Portugal, onde se diz existir perto do cume um lago em cuja superfície flutuam as carcaças de navios naufragados no oceano…”

(Excerto do romance Moby Dick, de Herman Melville)

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Aconselho-os vivamente a visitar a “minha Serra”. Não se vão arrepender.