Serra da Estrela, fonte de todas as verdades locais

A Serra é mesmo um lugar fantástico…

A Serra da Estrela é um lugar… perdão, um conjunto de lugares absolutamente fantásticos. A variedade é inigualável e transporta qualquer visitante para a sua própria história.

Fotogaleria de Manuel Ferreira

Perdoem-me a paixão com que falo da “Serra”! Não o faço apenas por ser serrano, faço-o principalmente porque em cada vez que resolvo “subir a serra” me vejo envolvido num enredo de uma história completamente diferente.

Já houve romances… já houve aventuras… já houve comédias e até tragédias… Os atores destas histórias foram vários mas a protagonista foi sempre a mesma… A Serra.

É impressionante o poder que ela tem para conduzir a nossa mente… é irreal a forma como nos faz sentir os elementos quando respiramos, imaginar seres místicos quando observamos, criar fantasias enquanto saboreamos, cantarolar enquanto ouvimos ou recordar quando tocamos…

Assim falava Miguel Torga Sobre a Beira e a Serra da Estrela

“Alta, imensa, enigmática, a sua presença física é logo uma obsessão. Mas junta-se à perturbante realidade uma certeza ainda mais viva: a de todas as verdades locais emanarem dela. Há rios na Beira? Descem da Estrela. Há queijo na Beira ? Faz-se na Estrela. Há roupa na Beira? Tece-se na Estrela. Há vento na Beira? Sopra-o a Estrela. Há energia elétrica na Beira? Gera-se na Estrela. Tudo se cria nela, tudo mergulha as raízes no seu largo e materno seio. Ela comanda, bafeja, castiga e redime. Gelada e carrancuda, cresta o que nasce sem a sua bênção; quente e desanuviada, a vida à sua volta abrolha e floresce. O Marão separa dois mundos — o minhoto e o transmontano. O Caldeirão, no pólo oposto de Portugal, imita-o como pode. Mas a Estrela não divide: concentra.”

Herman Melville e o misticismo da Serra, em “Moby Dick”

Aqui, a verdade da vida iguala a lenda, mesmo quando se trata de uma velha história como a da Serra da Estrela em Portugal, onde se diz existir perto do cume um lago em cuja superfície flutuam as carcaças de navios naufragados no oceano…”

Vergílio Ferreira, em “A Estrela”

Um dia, à meia-noite, ele viu-a. Era a estrela mais gira do céu, muito viva, e a essa hora passava mesmo por cima da torre. Como é que não a tinham roubado? Ele próprio, Pedro, que era um miúdo, se a quisesse empalmarm era só deitar-lhe a mão. Na realidade, não sabia bem para quê. Era bonita, no céu preto, gostava de a ter. Talvez depois a pusesse no quarto, talvez a trouxesse ao peito. E daí, se calhar, talvez a viessa a dar à mãe para enfeitar o cabelo. Devia-lhe ficar bem, no cabelo.

A Grandeza da Região Vitivinícola do Dão

É certo e sabido que Portugal produz em toda a sua extensão vinhos de enorme qualidade reconhecidos internacionalmente. Não é, no entanto, tão comummente conhecido que a Região Vitivinícola do Dão é uma das regiões demarcadas mais antigas do País.

regiao-demarcada-do-daoEm 1908 uma Carta de Lei estabelece formalmente a Região Demarcada do Dão e passados dois anos, em maio de 1910, surge com o Decreto regulamentar, o conjunto de normas para a produção e comercialização dos vinhos aí originados. Com esta decisão, o Dão torna-se a primeira região de vinhos não licorosos a ser demarcada e regulamentada no nosso país.

Os vinhos do Dão apresentam características tidas como únicas no universo dos vinhos portugueses. A conjugação muito particular do clima, do solo, do relevo e de outros aspectos conferem a esta região condições extraordinárias para a criação de vinhos distintos e com personalidade.

A Região Vitivinícola do Dão situa-se no centro Norte de Portugal, na antiga região da Beira Alta. As vinhas, protegidas dos ventos marítimos mais agrestes pelas serras da Estrela, do Caramulo, Lousã, Buçaco, Nave e Açor, estão plantadas na sua maioria entre os 400 e os 700 metros de altitude, e desenvolvem-se em solos xistosos, na zona mais a sul da região, ou graníticos de pouca profundidade um pouco mais a norte.

Juntamos aos factores em cima enumerados os rios Mondego, Paiva, Vouga e Dão e conseguimos perceber, em cada trago, a graciosidade e o Terroir do vinho de excelência aqui produzido.

Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz proporcionam tintos bem encorpados, aromáticos que podem ganhar bastante complexidade após envelhecimento em garrafa. Bical, Cercial, Malvasia Fina e Verdelho dão origem a vinhos brancos aromáticos, frutados e bastante equilibrados.

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Touriga Nacional

Depois de alguns anos de estagnação, entre as décadas de 60 e 90, a Região demarcada do Dão soube evoluir. As grandes empresas produtoras fizeram-se representar na região e trouxeram com elas a modernização nas várias vertentes da produção vitivinícola, assim como, uma aposta clara e constante na qualidade do produto final.

Desenvolveram marcas e exploraram o marketing de uma forma competente e criativa. Criaram novos produtos aliados à produção do vinho chamando à região novos públicos de vários estratos sociais e diversas faixas etárias.

“Tudo nestas paragens são grandezas”

José de Saramago

O vinho e a vinha continuam a ser o corpo e a alma desta região. São eles que traçam o perfil deste cantinho no centro de Portugal… mas hoje em dia falar em Dão é falar em cultura, em lazer, em gastronomia, em paisagens inesquecíveis, em explorações turísticas requintadas e profissionais, e em tantas outras coisas. É falar no orgulho de quem por cá vive e de quem faz deste pedaço de terra a sua vida.

Casa de Santar

Paço dos Cunhas de Santar

Paço dos Cunhas de Santar (lat: 40.5687317 lng: -7.8900987)

Deixo aqui uma sugestão pessoal para uma possível visita à Região. Visite a Casa de Santar e faça uma refeição no Paço dos Cunhas de Santar. O restaurante está integrado num solar do século XVII e XVIII, construído em 1609. Passeie pelos jardins que circundam os solar. Visite as caves. Saboreie os excelentes vinhos que por lá vai encontrar como por exemplo:

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Vinho Branco “Casa de Santar 2015”

Produzido com as castas Encruzado, Cerceal branco e Bical. Aroma elegante com notas de fruto tropical e ligeiro mineral. Mais exuberante na boca, tem uma textura delicada e acidez bem integrada. Conjunto afinado e muito proporcionado. Acompanha pratos de peixes magros grelhados no carvão, peixes fritos, filetes de pescada, carapauzinhos, etc. Sirva-se a 12º C. (por: www.vinalda.pt)

 

 

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Vinho Tinto Casa de Santar Reserva 2012

Produzido com as castas Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz. Aromas intensos a frutos silvestres e especiarias, expressando na boca todo o seu perfil austero, com final aveludado. Elegância e equilíbrio são a assinatura dos nossos vinhos. Acompanha pratos de cozinha regional, quer a iguarias mais sofisticadas, por exemplo, um peito de pintada estufado com sálvia e maçã. Sirva-se a 17 ou 18ºC. (por: www.vinalda.pt)

 

Sub regiões do Dão

Em cerca de 400 mil hectares de extensão, a Região Demarcada do Dão apresenta perto de 20 mil hectares de vinhas, estendidas por sete sub-regiões: Sub-região de Alva (municípios de Oliveira do Hospital e Tábua), Sub-região de Besteiros (municípios de Mortágua, Santa Comba Dão e 22 freguesias de Tondela), Sub-região de Castendo (municípios de Penalva do Castelo e duas freguesias do Sátão), Sub-região da Serra da Estrela (19 freguesias do município de Gouveia e 19 freguesias de Seia, Sub-região de Silgueiros (cinco freguesias de Viseu) Sub-região Terras de Azurara (município de Mangualde), Sub-região de Senhorim (município de Carregal do Sal e Nelas).

 

Vale do Rossim… Que lugar soberbo…

Além da água translucida e do ar puro podemos encontrar no Vale do Rossim todos os condimentos necessários para um dia bem passado… ou um fim-de-semana… ou o tempo que entendermos…

Esta lagoa artificial, construída na Linha de Água da Ribeira da Fervença, foi concluída em 1956 e permitiu que fossem criadas à sua volta um conjunto de condições que transformam este sítio numa das melhores zonas de lazer em toda a Serra da Estrela.

Vale do Rossim - Manuel Ferreira Fotografia

Vale do Rossim – Manuel Ferreira Fotografia

Ao longo dos anos têm sido criadas e melhoradas as infraestruturas circundantes. Existe um Restaurante, um Bar e o Parque de Campismo foi modernizado recentemente (Vale do Rossim Eco Resort). Há ainda a possibilidade de prática de desportos aquáticos e/ou radicais.

Em Agosto o “Vale do Rossim” transforma-se num ponto de romagem com muita gente à procura da frescura da água da lagoa. Pessoalmente gosto de visitá-lo em épocas menos movimentadas… em que posso desfrutar de alguns sons que só a tranquilidade possibilita. Se gosta de fotografia visite-o também no Inverno.

É um excelente sítio para caminhadas… Eu aconselho uma volta completa ao espelho de água e se ainda se sentir em forma pode sempre optar por uma visita ao Lagoacho (cerca de 4 Km). É importante levar calçado adequado e uma reserva de água.

Lagoacho

Lagoacho

Os praticantes de pesca desportiva pode pescar truta fário, trutas arcoíris e perca sol na lagoa do vale do rossim. Devem ter em atenção que a pesca neste local está sujeita a regulamentação especial que deve ser consultada no site do ICNF. O local é também interessante para os observadores de aves.

Latitude: 40.3997487 | Longitude: -7.5854236

O “Vale do Rossim” fica situado nas Penhas Douradas no Concelho de Gouveia. Equidista cerca de 20 Km de Gouveia, de Seia e de Manteigas. Aproveite para Explorar as Penhas Douradas. Vai encontrar algumas construções peculiares e paisagens de cortar a respiração.

Capela de Nossa Senhora de Assedasse

Todos os anos se realiza a peregrinação à Senhora de Assedasse no dia 8 de Setembro. Esta peregrinação reúne todos os anos um “grande número” de pessoas numa “pequena capela”.

A romaria em Casais de Folgosinho, no Concelho de Gouveia, era, “até meados do século passado”, um importante local de encontro de pastores de diversos lugares da Serra da Estrela. Habitualmente, as celebrações terminavam com a bênção dos pastores e dos rebanhos.

No decorrer da festa são feitas as arrematações (leilões) de produtos regionais que foram oferecidos para louvar Nossa Senhora: “Pão; queijo; chouriças; mel; fruta; flores; abóboras; batatas; cereais; centeio e alguns animais caprinos.”

A festa de setembro na Senhora do Assedasse celebrava a transumância dos animais de pasto, neste caso, a descida dos rebanhos dos pastos da serra para as terras baixas.

Poema a Nossa Senhora de Assedasse

Mondego, rio puro por essência
Por Munda o conheciam os romanos
Mantém esse cunho de excelência
Mau grado transcorridos dois mil anos

Num vale fundo, todo ele Edénico,
Refúgio que foi do tempo Perpénico
Nas águas mira o setestrelo a face

As suas águas como em reverência
Cantaram-nas os Vates Lusitanos
O Viriato Trágico é referência
Seus cantos episódios sobre-humanos

Ali ergueu a fé um santuário
Que é para o serrano relicário
Rezemos á Senhora de Assedasse.

«Poetando», Manuel Leal Freire

Gosta de queijo Serra da Estrela? Este artigo é para si…

O queijo Serra da Estrela é um petisco, fruto de um processo ancestral. Na região da Serra da Estrela, a produção do queijo é na sua maioria de caráter familiar. O ambiente na produção é único, o que acaba por produzir vários segredos que vão passando de geração em geração. Todo o seu fabrico requer uma seleção criteriosa do leite, exclusivamente fornecido pelas raças Bordaleira da Serra da Estrela ou Mondegueira. Após todo o processo de coalhar, encher as “formas” e a salga, o queijo é colocado no local onde irá permanecer pelo menos um mês, para a sua maturação e para formação da casca.

Ovelhas - Raça Bordaleira

Ovelhas – Raça Bordaleira

Mas para que a segurança e a máxima de qualidade não faltem na sua mesa, o queijo Serra da Estrela é certificado, sendo todo o processo de fabrico inspecionado segundo critérios rigorosos. No entanto, e até ao mês de março, poderá aproveitar os certames distribuídos pela região e conhecer diretamente os produtores e vendedores desta iguaria. Palestras, showcooking e muitos eventos trazem ano após ano milhares de pessoas à região serrana.

A região demarcada de produção do queijo Serra da Estrela abrange 12 municípios, Guarda, Fornos de Algodres, Celorico da Beira, Gouveia, Manteigas, Seia, Trancoso, Oliveira do Hospital, Nelas, Penalva do Castelo, Mangualde e Covilhã.

Mas sem mais demoras e de forma cronológica iremos enumerar os concelhos organizadores das feiras com uma breve descrição, datas e a localização, para que consiga programar a sua vinda até cá!

O concelho de Celorico da Beira, conhecido pela Capital do Queijo Serra da Estrela pertence ao distrito da Guarda, e possui neste momento seis queijarias certificadas. É lá que a partir do dia 30 de janeiro a 7 de fevereiro, no Mercado Municipal de Celorico da Beira, estarão reunidos dezenas de produtores de queijo que terão a oportunidade de divulgar e promover a saborosa iguaria. Mas o certame existe também para o distrair e divertir, por isso irá contar com artesanato e produtos regionais e locais, e ainda várias atividades culturais.

Mas se está a pensar vir esquiar até ao ponto mais alto de Portugal mas também quer conhecer outros pontos turísticos e aproveitar e conhecer melhor esta maravilha, nada melhor do que descer a encosta mais a norte da montanha e aproveitar os eventos em Gouveia e em Seia.

De dia 4 a 9 de fevereiro, o concelho de Gouveia acolhe o Carnaval da Serra e promove no dia 7, no mercado municipal, a tradicional feira do queijo. Aqui deparar-se-á com os produtos endógenos, as tradições e a autenticidade da produção do Queijo Serra da Estrela.

Já em Seia, a feira do queijo decorrerá no mercado municipal, entre os dias 6 e 9 de fevereiro. Designado como uma das sete Maravilhas da gastronomia portuguesa, esta iguaria será o centro das atenções às portas da Serra da Estrela. Poderá ainda aproveitar os concertos musicais proporcionados pela Câmara local, forma de dinamização do concelho.

Queijo Serra da Estrela e Flor de Cardo

Queijo Serra da Estrela e Flor de Cardo

Indústria artesanal de extrema importância, a produção queijeira no concelho de Fornos de Algodres faz desta terra mais um ponto de referência do queijo serrano. A Feira do Queijo realiza-se no dia 12 e 13 de março, em Fornos de Algodres, mas neste evento estarão presentes os produtos regionais como o azeite, os enchidos e os doces. Uma coisa é garantida, a autenticidade e a genuinidade da produção do Queijo Serra da Estrela estará sempre presente.

Provas de queijo e enchidos, tosquias e fabrico de queijos ao vivo, é o que a feira de queijo de Oliveira do Hospital tem para lhe oferecer na sua 25ª edição. Mais de duas centenas de expositores vão estar presentes neste que é um dos mais importantes eventos de Oliveira de Hospital.

Queijo Serra da Estrela, vinho e Pão

Queijo Serra da Estrela, vinho e Pão

Caso se desloque até cá poderá comprovar que as Feiras do Queijo e a própria produção do queijo desempenham um importante papel no setor económico regional, quer na valorização da marca Serra da Estrela  quer no território.