Figueira da Foz, a Rainha das Praias de Portugal

Antes da Guerra Civil Espanhola, era comum encontrarmos os “nuestros hermanos” mais endinheirados a esbanjarem alegremente as suas pesetas pela Figueira da Foz e pelo Casino Oceano, inaugurado em 1898.

A “Rainha das Praias de Portugal” era também destino recorrente e privilegiado das famílias ricas da Beira, que se podiam deslocar rapidamente através da ferrovia pelo ramal da Pampilhosa ou pelo de Alfarelos.

As Praias

A Praia da Claridade celebrizou-se no século XIX quando atraía à Figueira da Foz milhares de banhistas de todo o país. A zona onde se localiza ficou conhecida por Costa de Prata, graças ao tom prateado da luz do sol em contacto com a água do mar. Foi talvez a praia que mais sofreu com as intervenções realizadas ao longo dos anos. Hoje, a praia tem cerca de 1 km de largura frente ao Grande Hotel (os figueirenses dizem que é preciso ter um camelo para ir tomar banho) .

A Praia de Buarcos, é curiosamente um dos postais mais bonitos da Figueira da Foz. Esta praia de areia dourada, com um areal um pouco menos extenso do que a Praia da Claridade, é ideal para um dia bem passado em família ou com os amigos.

Se não gosta de andar a pé e prefere o mar logo “ali à mão”, então descubra a praia da Tamargueira. Logo a seguir ao areal da Praia de Buarcos, antes de começar a subida para o Cabo Mondego e Serra da Boa Viagem, encontrará uma praia um pouco mais sossegada, com um areal significativamente menos extenso e com maior oferta de lugares de estacionamento.

A Gastronomia

A Gastronomia é sem dúvida um dos ex-líbris da Figueira da Foz. A riqueza gastronómica com base no peixe e marisco, é gulosamente complementada por sobremesas típicas e algo irreverentes. São exemplo disso as Brisas da Figueira da Foz e as Papas de Moado. Autênticos memoriais colectivos de costumes e tradições.

Um pouco por toda a cidade encontrará excelentes restaurantes onde poderá degustar a característica frescura dos produtos do mar.

A Cultura

O CAE – Centro de Artes e Espectáculos, inaugurado em 2002, é uma referência da Região Centro no que diz respeito a espectáculos Culturais.

CAE – Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz

CAE – Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz

O  Casino da Figueira da Foz

O Casino da Figueira da Foz, antigo Casino Peninsular, é um dos mais antigos da Península Ibérica. A licença de jogo está em vigor desde 1927. Os responsáveis consideram “…demasiado redutor ver este espaço apenas como um local de puro entretenimento. Também o é, mas é, sobretudo, um lugar de referência e acolhimento para quem aqui chega, com renascida vontade de criar um legado artístico.

Além das salas de jogo, o Casino está equipado com salas de espectáculo onde se pode frequentemente assistir a performances variadas.

A Arquitectura

São vários os imóveis com interesse arquitetónico espalhados um pouco por todo o concelho.

No que diz respeito à Arquitetura Civil destacamos o Palácio Sotto Mayor (uma luxuosa vivenda de estilo francês ), o Castelo Engenheiro Silva (recentemente restaurado), a Casa das Conchas (adornada por azulejos com motivos marinhos e influências da Arte Nova) e o Casino Oceano (ao gosto da sociedade da “belle époque”).

Casino Oceano, Figueira da Foz

Casino Oceano – Carnet de Voyage

Ao nível da Arquitetura Militar o destaque vai para o Forte de São Pedro de Buarcos (Classificado como imóvel de Interesse Público) e para o Forte de Santa Catarina (determinante e imponente na defesa da barra do Mondego).

A Arquitectura Religiosa é porventura a mais profícua em exemplares. Destacamos a Igreja Paroquial de Nossa Senhora dos Remédios (Bom Sucesso) , o Mosteiro de Seiça (um edifício lendário cuja história deveria ser motivo suficiente para uma intervenção de restauro e conservação) e a Igreja Matriz de São Julião (talvez o templo mais antigo de Figueira da Foz).

Figueira da Foz – A Origem do Nome

Podemos procurar a origem do nome na lenda que afirma provir de uma figueira existente no cais da Salmanha, onde os pescadores amarravam os barcos.

Segundo Nelson Correia Borges, o nome resulta da sobreposição de várias palavras com o mesmo significado: Figueira seria «fagaria» (abertura, boqueirão); Foz deriva do latim «fauces» (embocadura) ; Mondego compõe-se do pré-romano «moud» (boca) e «aec» (rio). Ao pronunciar-se Figueira da Foz do Mondego repete-se, assim, «boca da boca da boca do rio».

O Mosteiro de Seiça no Vale Encantado

O Mosteiro de Seiça, ou de Santa Maria de Seiça, é um dos edifícios mais místicos de Portugal. Atualmente encontra-se em ruínas num estado avançado mesmo depois de ter sido considerado em 2002 Imóvel de Interesse Público e em 2004 ter sido adquirido pela Câmara Municipal da Figueira da Foz.

Ao longo dos tempos o edifício foi sofrendo alterações pouco dignas da beleza que ostenta. Em 1871 foi parcialmente demolido e a pedra utilizada para obras num cemitério em Paião. Em 1888 sofreu novamente obras de demolição, desta feita por causa da construção do troço de caminho de ferro da Linha do Oeste. Por volta de 1900 foi vendido a particulares que o transformaram numa unidade industrial de descasque de arroz…

O Mosteiro de Seiça está fundado na freguesia de Paião, na Figueira da Foz.

Seiça e a lenda do abade João

A história de Seiça cruza-se com a lenda do abade João. Reza a lenda que este abade, responsável pela defesa do castelo de Montemor-o-Velho, se viu cercado pelos Mouros… Entre eles estava um tal de Garcia Janhes, que fora criado pelo Abade João , e que se passou para o lado dos Mouros depois de renegar a fé Cristã e de assumir o nome de Zulema.

Zulema tornou-se um dos mais odiados inimigos dos cristãos, e como era um conhecedor da região e do castelo aconselhou o exército mouro sobre a melhor forma de fazer o cerco, cortando todas as relações entre a fortaleza e o exterior.

A luta terá sido desesperante para a fração Cristã… em menor número e sem mantimentos, vendo-se numa situação insustentável, tomaram algumas medidas drásticas e decidiram fazer sacrifícios que retratam bem quer a abnegação e coragem dos cristão, quer a barbárie e carnificina daqueles tempos em que a vida humana valia tão pouco.

Decidiram então queimar tudo quanto tinham para que não caísse nas mãos dos inimigos, e levando o desespero mais além, decidiram degolar homens e mulheres que pela sua idade ou condição não se pudessem defender do inimigo. O abade João terá dado o mote e ele próprio terá degolado a sua irmã D. Urraca.

Depois de consumada a carnificina saíram os sitiados do castelo e deram luta aos Mouros. Sem nada a perder e sem esperança na vitória, terá sido o Abade João o mais valente… devastando tudo o que encontrava à sua frente, infligindo grandes estragos ao mais numeroso exercito inimigo e simultaneamente dando moral aos seus para que o seguissem na demanda.

Uma das primeiras vitimas do vigor do braço do Abade João foi Zulema, o ingrato pupilo. Esta morte terá desmoralizado as tropas mouras e por outro lado terá dado um animo extra os cristãos que cresciam destemidos fazendo com que os infiéis sobreviventes fugissem desordenadamente e procurassem refugio nas brenhas da outra margem do Mondego.

De nada valia aos mouros esconderem-se… os cristãos continuaram a perseguir e a matar sem qualquer piedade todo e qualquer infiel que encontrassem…

O cansaço era já muito e os poucos mouros sobrevivente tinham-se refugiado nas Alcoubas, distantes quatro léguas do campo da primeira batalha… ouviu-se então a voz do Abade João:

– Cessa, Cessa.

Os Cristãos obedeceram e descansaram da enorme luta nesta planície rodeada de montes. Passaram ali a noite e na madrugada do dia seguinte, chegaram à planície mensageiros provenientes de Montemor-o-Velho que traziam a boa nova… os desgraçados que no dia anterior tinham sido degolados afinal estavam vivos e de boa saúde. A noticia foi recebida com enorme alegria e logo o acontecimento foi tomado como milagre.

O abade João decidiu então renunciar a Montemor-o-Velho e passar ali naquela planície o resto dos seus dias, sendo seguido por alguns dos seus companheiros. Por volta de 850 mandou edificar ali uma capela que dedicou à Virgem.

Dessa ermida, que ruiu em 1590, nada resta. Em 1602, no mesmo lugar e por iniciativa de Frei Manuel das Chagas, foi construída a actual capela de Nossa Senhora de Seiça.

Capela de Nossa Senhora de Seiça

Capela de Nossa Senhora de Seiça

A poucos metros de distância desta capela encontra-se o Mosteiro de Santa Maria de Seiça, do qual se desconhece a data exata de fundação e cuja referência documental mais antiga data de 1162, pertencendo então aos Frades Crúzios.

 

Links Relacionados

http://mosteirodeseica.com/

https://www.facebook.com/SalvemOMosteiroDeSeica

http://ruinarte.blogspot.pt/2009/11/o-mosteiro-de-n-sra-de-seica.html

 

Carnaval, Portugal e o Tradicional

A origem do carnaval está relacionada com a união das palavras latinas “carnis” (carne) e “valles” (prazeres). Mas como todos nós também sabemos, o carnaval é a festividade que antecede a primeira festa religiosa de cada ano, a Páscoa.

A luta entre o Carnaval e a Quaresma. Pieter Bruegel o Velho. 1559

A luta entre o Carnaval e a Quaresma. Pieter Bruegel o Velho. 1559

O evento carnavalesco nasceu da Igreja Católica, no século XI. Desde aí, quarenta dias antes da Semana Santa, e antes de se proceder ao período de privação, conhecido como jejum pascal, o “entrudo” leva à mesa dos portugueses as carnes gordas e a folia. A gastronomia é rica e “gorda”, devido aos enchidos e carnes gordas, que preenchem o cozido à portuguesa, a feijoada à transmontana ou o sarrabulho (guisado com os miúdos do porco, ou cabrito, misturado com sangue e temperado com cominhos).

Mas o carnaval como hoje conhecemos surgiu apenas na época do Renascimento, altura em que começaram os bailes de máscaras e as fantasias.

O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, mais famosos em Portugal são os da Mealhada, Torres Vedras, Loulé, Ovar, Madeira, e Sines. Mas mesmo que a iniciativa tenha o senão de se dar em pleno inverno, o frio não demove os foliões, nem a vontade de satirizarem social e politicamente, como já é costume nos corsos carnavalescos dos portugueses.

Vamos rapidamente enumerar as vantagens em escolher um evento em detrimento de outro:

Por exemplo, na Madeira não faltará um desfile majestoso, bastante abrilhantado, acompanhado do típico fogo de artifício.

Em Torres Vedras, as matrafonas (homens vestidos de mulheres) são o mote, bem como a sátira politica.

Na Mealhada, numa versão mais brasileira, poderá assistir ao Corso Luso – Brasileiro e no último dia ao desfile trapalhão.

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Por Rosino – Flickr: [1], CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=18357171

O famoso cortejo com sátira política e social em Loulé conta com 15 carros alegóricos, escolas de samba, gigantones e cabeçudos, por isso aproveite e dê uma fugida até ao Algarve.

Se preferir o norte, em Ovar, o Carnaval já arrancou (no dia 16 de janeiro), prolongando-se até 9 de fevereiro, mas com uma programação diferenciadora, arrojada e para vários públicos.

Em Sines, os foliões contam com três dias de corso, mas é na segunda-feira, que tem o seu ponto alto, com o desfile noturno e com os seus carros alegóricos iluminados.

Nestes dias de carnaval, para além dos grupos organizados, inúmeros foliões anónimos participam livremente nos desfiles e na festa.

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By Rosino ([1]) [CC BY-SA 2.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0)], via Wikimedia Commons

Mas não podíamos falar de carnaval sem mencionar os Caretos, personagens típicos de algumas aldeias de Trás-os-Montes. Um careto é um homem disfarçado, que anda pelas ruas das aldeias transmontanas, com uma máscara que serve para meter medo, em especial as meninas solteiras. Por norma, as meninas ficam em casa a vê-los pela janela, o que leva a que eles trepem pelas varandas, para ir ter com elas e fazer muito barulho com os chocalhos que usam pendurados na cintura e guizos nos tornozelos.