Aldeias Históricas de Portugal

“Perdidas” no centro do País, quase como que uma ironia, as Aldeias Históricas de Portugal definiram noutros tempos aquilo são hoje os limites do país.

As Aldeias Históricas de Portugal

Algumas das Aldeias Históricas de Portugal, a maior parte, destacam-se pela sua arquitectura militar, são maioritariamente aldeias fortificadas. Outras destacam-se pela peculiaridade das construções e pela riqueza histórica e cultural. Todas elas são pontos de referência no turismo nacional. Comecemos então a nossa viagem…

Almeida

A Vila de Almeida, no distrito da Guarda, destaca-se pela sua fortaleza em forma de estrela. É um dos mais espectaculares e bem conservados sistemas defensivos abaluartados do século XVII da Europa.

A Praça-Forte de Almeida é candidata à categoria de Património Mundial da UNESCO.

Estrela de Almeida - Praça forte de Almeida

Estrela de Almeida – Praça forte de Almeida

A gastronomia é rica e variada. Experimente a burzigada, o “Coelho à Caçador”, o “Arroz de Lebre” e a salada de Meruges.

Belmonte

A vila de Belmonte é sede de um Concelho quase tão antigo como a nacionalidade portuguesa. Recebeu o foral das mãos de D. Sancho I, em 1199.

A Terra de Pedro Álvares Cabral, está situada em plena Cova da Beira no Monte da Esperança, antigos Montes Crestados.

Castelo de Belmonte - Aldeias Históricas de Portugal

Castelo de Belmonte – Aldeias Históricas de Portugal

O Castelo de Belmonte foi construído nos finais do séc. XII e é um dos ex-libris do concelho, juntamente com o Museu dos Descobrimentos, com o Museu Judaico e com a Torre de Centum Cellas.

A vista sobre a Serra da Estrela é simplesmente deslumbrante.

Castelo Mendo

Esta freguesia do Concelho de Almeida foi entre 1229 e 1855 sede de Concelho.

Aqui o Castelo de Castelo Mendo é rei. A fortificação ergue-se sobranceiramente a mais de 700 metros sobre o Rio côa. Castelo Mendo recebeu o Foral das mãos de D.Sancho II.

A Aldeia Histórica de Castelo Mendo foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 1984.

Castelo Novo

Em Castelo Novo estão guardados há mais de 800 anos, nas paredes do seu imponente castelo, segredos e histórias fantásticas. Herança dos templários.

O misticismo é evidente quando percorremos as ruas e ruelas da aldeia. Quase como uma tela medieval com pinceladas de manuelino e barroco.

A existência do castelo de Castelo Novo será anterior ao início do século XIII.

Castelo Rodrigo

A Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo foi, noutros tempos, um dos mais importantes lugares estratégicos do País, servindo de linha avançada na defesa do Reino de Portugal.

por Malcolm Payne - Igreja Matriz de Castelo Rodrigo - Aldeias Históricas de Portugal

por Malcolm Payne – Igreja Matriz de Castelo Rodrigo – Aldeias Históricas de Portugal

Foi sede de concelho até aos finais dos séc. XIX.

Destaca-se entre o vasto património desta freguesia do Concelho de Figueira de Castelo rodrigo a Igreja Matriz do séc. XIII, o Palácio de Cristóvão de Moura e a Cisterna Medieval.

Idanha a Velha

Esta pitoresca aldeia ergue-se sobre as ruínas de uma antiga cidade Romana do séc. I A.C.

Apesar de grande parte dos elementos romanos mais importantes terem sido destruídos no século V pelos Suevos, restam ainda vestígios arqueológicos que tornam Idanha a Velha num lugar de destaque no que diz respeito à arqueologia nacional.

Linhares da beira

Plantada a cerca de 800 metros de altitude, nas faldas da Serra da Estrela, encontramos a lindíssima e bem conservada Aldeia histórica de de Linhares da Beira.

Castelo de Linhares da Beira - Aldeias Históricas de Portugal

Castelo de Linhares da Beira – Aldeias Históricas de Portugal

Foi conquistada aos mouros por D. Afonso henriques que lhe concedeu foral em setembro de 1169.

O castelo de Linhares da Beira domina a vista cheia de paisagens bucólicas. É local de eleição para a prática do parapente.

Marialva

“Em tempos imemoriais, vivia na vila, num lindo edifício com duas altaneiras torres, uma esbelta moura de seu nome Marialva, por quem um audaz cavaleiro nazareno se tomou de amores.”

Marialva é uma das das mais místicas Aldeias Históricas de Portugal. O património edificado de Marialva não deixa indiferente quem a visita. A Cisterna Quinhentista, as igrejas de S. Pedro e S. Tiago e o solar dos Marqueses de Marialva são alguns dos exemplos do referido património.

Situada num planalto, no topo de um cabeço rochoso, é uma das mais fascinantes cidadelas medievais portuguesas.

Destaque ainda para a gastronomia e para o turismo rural que são referências no panorama nacional e internacional.

Monsanto

Conhecida como “A aldeia mais portuguesa de Portugal”, graças ao estatuto alcançado num concurso do Estado Novo, em 1938, a Aldeia Histórica de Monsanto é realmente um dos lugares mais genuínos do país.

Ergue-se a mais de 750 metros de altitude, numa das maiores e mais impressionantes formações geológicas do país.

Os pedregulhos quase que se confundem com a própria aldeia. Nas construções alguns servem de chão, outros de parede e outros até servem de tecto. Tudo isto transformou de forma harmoniosa, ao longo dos anos, a arquitectura da aldeia conferindo-lhe um misticismo único no país.

Piódão

Localizada em plena Serra do Açor, no Concelho de Arganil, a Aldeia Histórica do Piódão é um pouco diferente das outras Aldeias Históricas de Portugal.

Aqui reina o xisto. O conjunto arquitetónico da aldeia e o seu enquadramento na encosta conferem-lhe uma beleza natural.

A disposição dos edifícios ao longo da encosta, as casas de xisto e lousa e as janelas pintadas de azul proporcionaram-lhe a designação de “aldeia presépio”.

Sortelha

Daqui a vista é deslumbrante. Do alto do castelo do séc. XIII avistamos o vale do Alto Côa em todo o seu esplendor.

Sortelha é uma das Aldeias Histórica de Portugal mais bem preservadas, no que diz respeito à arquitectura medieval do país. O património arquitectónico e histórico é indescritível. Do gótico ao manuelino o melhor é mesmo visitar e explorar.

Bem vindo à Idade Média…

Trancoso

A Aldeia Histórica de Trancoso é cidade desde o dia 9 de dezembro de 2004.

Aqui se desenrolaram algumas das batalhas mais marcantes na formação e independência do reino. Foi uma das mais importantes vilas medievais portuguesas, graças à sua posição estratégica.

Castelo de Trancoso

Trancoso

O espólio judaico é um dos mais importantes do país.

Gonçalo Annes Bandarra, conhecido por Sapateiro de Trancoso foi uma das figuras da literatura nacional do séc. XVI. Sapateiro e profeta messiânico “previu” em verso o futuro do país.

A beleza agreste de Monsanto

Aldeia Histórica de Portugal, Monsanto detém um encanto singular, para o que contribuem os dois títulos atribuídos: Aldeia Mais Portuguesa de Portugal, em 1938, e o de Aldeia Histórica em 1995.

Monsanto atinge 758 metros e situa-se a nordeste de Idanha, na encosta de uma elevação escarpada que à vista de quem se aproxima surge abruptamente. Pelas várias vertentes da encosta e no sopé do monte existem vários lugarejos dispersos.

Trata-se de um local muito antigo, onde se regista a presença humana desde o paleolítico. Vestígios arqueológicos dão conta de um castro lusitano e da ocupação romana no denominado campo de S. Lourenço, no sopé do monte. Vestígios da permanência visigótica e árabe foram também encontrados.

Em Monsanto, não deixe de visitar o castelo, o forno comunitário, a Capela de São Miguel, os chafarizes e as torres de menagem. A “casa de uma só telha”, com cobertura de rocha granítica é o ex-libris desta terra raiana, bem como a Torre do Relógio, a capela românica de São Pedro de Vir à Corça. Aproveite a deslocação e conheça ainda o castelo templário de Penha Garcia ou a povoação de Salvaterra do Extremo. Locais inesquecíveis…

A aldeia de Monsanto foi designada em 1938 a mais portuguesa de Portugal, conservando a salvo o típico traçado das aldeias beirãs. A ocupação humana do lugar data-se do Paleolítico, sendo que no base do monte foram encontrados vestígios de um castro e de termas, provavelmente da época romana.

“A aldeia foi conquistada por Afonso Henriques, sendo doada pelo monarca aos Cavaleiros Templários, que aí ergueram o primitivo castelo. A coroa intentou fixar a população naquele lugar íngreme e de difícil acesso, e ao longo da Idade Média Monsanto foi um importante centro regional de comércio”.

Monsanto no Festival da canção

Monsanto foi o primeiro cenário escolhido pela organização do Festival Eurovisão da Canção para a gravação dos postais que apresentaram os participantes no evento, que pela primeira vez aconteceu em Portugal.

A aldeia mais portuguesa de Portugal serviu de apresentação ao concorrente da Áustria, Cesár Sampson. Segundo a televisão pública, Cesár Sampson passou alguns dias em filmagens na aldeia de Monsanto, mostrando o castelo e descendo a colina em BTT.

 

15 Aldeias Históricas

Monsanto foi eleita para o Top 15 das Aldeias Históricas mais encantadoras de Portugal e a lista é do Skyscanner, motor de pesquisa mundial de viagens.

Esta foi a primeira seleção anual de aldeias históricas e leva em consideração as características de cada aldeia, incluindo a história, a autenticidade, a beleza da paisagem circundante e as sugestões dos viajantes.

Segundo o estudo, descobrir as aldeias históricas de Portugal é caminhar no tempo e nos costumes. É viajar pela nossa história e visitar monumentos incríveis. É caminhar nas ruas, dar dois dedos de conversa a um desconhecido e sentir-se em casa.

A lista é liderada por Almeida depois Sortelha, em terceiro lugar Idanha-a-Velha e em quarto Monsanto. Nesta lista estão ainda Cerdeira, Dornes, O Castelo de Almourol em Vila Nova da Barquinha, Podense, Monsaraz, Santa Maria do Marvão, Santa Susana no Alentejo, Évora Monte, Alte, Curral das Freiras na Madeira, Cuada na Ilha das Flores – Açores

A intrigante Capela dos Ossos em Évora

A cidade de Évora é uma cidade repleta de monumentos históricos. Entre eles há um que se destaca pela inquietude que provoca a que o visita. Falamos, pois claro, da  Capela dos Ossos de Évora, um dos pontos de interesse turístico mais visitados da cidade.

A Origem da Capela dos Ossos

Reza a história que, durante o século  XVI, existiam cerca de 40 cemitérios na região de Évora. Cemitérios que ocupavam terrenos estratégicos para o crescimento da região e que rapidamente começaram a ser cobiçados, com o intuito de os utilizar para outros fins.

Consta que os monges franciscanos que por lá residiam nessa época, sempre ligados às questões mais espirituais da existência humana, procuraram “provocar pela imagem a reflexão sobre a transitoriedade da vida humana e o consequente compromisso de uma permanente vivência cristã”, aspectos intrinsecamente ligados à celebração da morte e próprios do período barroco que se vivia e procuraram simultaneamente resolver o problema colocado pela desocupação dos cemitérios.

Capela dos Ossos

Capela dos Ossos – Boris Kasimov/CC BY 2.0

A capela foi erigida e as paredes e pilares que a constituem foram meticulosamente revestidos com os ossos e caveiras humanas recolhidos dos referidos cemitérios.

O “conceito” pode ter sido baseado no Ossário de San Bernardino alle Ossa em Milão na Itália e acabou por ganhar alguma força no Sul de  Portugal, onde existem várias outras capelas de ossos, por exemplo em Faro, em Campo Maior e Monforte.

Arquitetura da Capela dos Ossos

A capela, construída no local do primitivo dormitório é formada por 3 naves de 18,70 m de comprimento e 11m de largura, entrando a luz por três pequenas frestas do lado esquerdo. As abóbadas são de tijolo rebocado a branco, pintadas com motivos alegóricos à morte.

Capela dos Ossos, Évora

Capela dos Ossos, Évora, fotografia por Feliciano Guimarães

É um monumento de uma arquitectura penitencial de arcarias ornamentadas com filas de caveiras, cornijas e naves brancas.

“Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”.

Além das paredes e pilares ornamentados com os ossos e crânios humanos, foram contabilizados cerca de cinco mil, existem ainda dois esqueletos completos pendurados por correntes numa das paredes. Um dos esqueletos é duma criança.

Esqueletos Pendurados na Capela dos Ossos em Évora

Esqueletos Pendurados – Patricia Feaster/CC BY 2.0

As ossadas dos 3 Monges também descansam na capela, dentro de um pequeno caixão branco junto ao altar.

Ossadas dos Monges – Ken & Nyetta/CC BY 2.0

“Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. Esta é a inscrição que podemos encontrar sobre a porta de entrada da Capela dos Ossos.

Inscrição na Entrada da Capela dos Ossos

Inscrição na Entrada da Capela dos Ossos – Nuno Sequeira André/CC BY-SA 2.0

A capela é dedicada ao Senhor dos Passos, imagem conhecida na cidade como Senhor Jesus da Casa dos Ossos.

Poema inscrito no interior da Capela dos Ossos, de Padre António da Ascensão Teles

Aonde vais, caminhante, acelerado? Pára…não prossigas mais avante; Negócio, não tens mais importante, Do que este, à tua vista apresentado. Recorda quantos desta vida tem passado, Reflecte em que terás fim semelhante, Que para meditar causa é bastante Terem todos mais nisto parado. Pondera, que influído d’essa sorte, Entre negociações do mundo tantas, Tão pouco consideras na morte; Porém, se os olhos aqui levantas, Pára…porque em negócio deste porte, Quanto mais tu parares, mais adiantas.

Notas

Entre julho de 2014 e outubro de 2015, a capela passou por obras de restauração de danos ocorridos com o tempo e construção de um museu de arte sacra e outro para exposições temporárias.

 

O Mosteiro de Seiça no Vale Encantado

O Mosteiro de Seiça, ou de Santa Maria de Seiça, é um dos edifícios mais místicos de Portugal. Atualmente encontra-se em ruínas num estado avançado mesmo depois de ter sido considerado em 2002 Imóvel de Interesse Público e em 2004 ter sido adquirido pela Câmara Municipal da Figueira da Foz.

Ao longo dos tempos o edifício foi sofrendo alterações pouco dignas da beleza que ostenta. Em 1871 foi parcialmente demolido e a pedra utilizada para obras num cemitério em Paião. Em 1888 sofreu novamente obras de demolição, desta feita por causa da construção do troço de caminho de ferro da Linha do Oeste. Por volta de 1900 foi vendido a particulares que o transformaram numa unidade industrial de descasque de arroz…

O Mosteiro de Seiça está fundado na freguesia de Paião, na Figueira da Foz.

Seiça e a lenda do abade João

A história de Seiça cruza-se com a lenda do abade João. Reza a lenda que este abade, responsável pela defesa do castelo de Montemor-o-Velho, se viu cercado pelos Mouros… Entre eles estava um tal de Garcia Janhes, que fora criado pelo Abade João , e que se passou para o lado dos Mouros depois de renegar a fé Cristã e de assumir o nome de Zulema.

Zulema tornou-se um dos mais odiados inimigos dos cristãos, e como era um conhecedor da região e do castelo aconselhou o exército mouro sobre a melhor forma de fazer o cerco, cortando todas as relações entre a fortaleza e o exterior.

A luta terá sido desesperante para a fração Cristã… em menor número e sem mantimentos, vendo-se numa situação insustentável, tomaram algumas medidas drásticas e decidiram fazer sacrifícios que retratam bem quer a abnegação e coragem dos cristão, quer a barbárie e carnificina daqueles tempos em que a vida humana valia tão pouco.

Decidiram então queimar tudo quanto tinham para que não caísse nas mãos dos inimigos, e levando o desespero mais além, decidiram degolar homens e mulheres que pela sua idade ou condição não se pudessem defender do inimigo. O abade João terá dado o mote e ele próprio terá degolado a sua irmã D. Urraca.

Depois de consumada a carnificina saíram os sitiados do castelo e deram luta aos Mouros. Sem nada a perder e sem esperança na vitória, terá sido o Abade João o mais valente… devastando tudo o que encontrava à sua frente, infligindo grandes estragos ao mais numeroso exercito inimigo e simultaneamente dando moral aos seus para que o seguissem na demanda.

Uma das primeiras vitimas do vigor do braço do Abade João foi Zulema, o ingrato pupilo. Esta morte terá desmoralizado as tropas mouras e por outro lado terá dado um animo extra os cristãos que cresciam destemidos fazendo com que os infiéis sobreviventes fugissem desordenadamente e procurassem refugio nas brenhas da outra margem do Mondego.

De nada valia aos mouros esconderem-se… os cristãos continuaram a perseguir e a matar sem qualquer piedade todo e qualquer infiel que encontrassem…

O cansaço era já muito e os poucos mouros sobrevivente tinham-se refugiado nas Alcoubas, distantes quatro léguas do campo da primeira batalha… ouviu-se então a voz do Abade João:

– Cessa, Cessa.

Os Cristãos obedeceram e descansaram da enorme luta nesta planície rodeada de montes. Passaram ali a noite e na madrugada do dia seguinte, chegaram à planície mensageiros provenientes de Montemor-o-Velho que traziam a boa nova… os desgraçados que no dia anterior tinham sido degolados afinal estavam vivos e de boa saúde. A noticia foi recebida com enorme alegria e logo o acontecimento foi tomado como milagre.

O abade João decidiu então renunciar a Montemor-o-Velho e passar ali naquela planície o resto dos seus dias, sendo seguido por alguns dos seus companheiros. Por volta de 850 mandou edificar ali uma capela que dedicou à Virgem.

Dessa ermida, que ruiu em 1590, nada resta. Em 1602, no mesmo lugar e por iniciativa de Frei Manuel das Chagas, foi construída a actual capela de Nossa Senhora de Seiça.

Capela de Nossa Senhora de Seiça

Capela de Nossa Senhora de Seiça

A poucos metros de distância desta capela encontra-se o Mosteiro de Santa Maria de Seiça, do qual se desconhece a data exata de fundação e cuja referência documental mais antiga data de 1162, pertencendo então aos Frades Crúzios.

 

Links Relacionados

http://mosteirodeseica.com/

https://www.facebook.com/SalvemOMosteiroDeSeica

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