A Vila de Belmonte já é por si só enigmática e envolvente. O Castelo Medieval, erigido bem no alto e em posição dominante sobre uma das margens do Rio Zêzere, para que todos o possam contemplar, torna-se um dos pontos fortes da visita… mas está longe de ser o único.

Belmonte faz parte da Rede de Aldeias Históricas de Portugal e da Rede de Judiarias de Portugal.

Castelo de Belmonte

A construção do Castelo data do século XIII. É em 1258 que D. Afonso III autoriza D. Egas Fafe, bispo de Coimbra, a construir uma Torre e o Castelo. Algumas escavações arqueológicas realizadas, revelaram que terá existido um sistema defensivo anterior no local onde se ergue hoje o Castelo.

Em 1466 D. Afonso V doa o Castelo a Fernão Cabral I. Torna-se a residência da família Cabral e vai sofrendo várias transformações ao longo dos tempos. Destaca-se a janela de Estilo Manuelino, do século XVI.

Castelo de Belmonte

Castelo de Belmonte

Comunidade Judaica de Belmonte

Esta é uma das terras portuguesas onde a presença dos judeus e da cultura judaica está mais presente. Fixou-se aqui uma importante comunidade judaica, que aumentou substancialmente no séc. XV, quando os Reis Católicos de Espanha publicaram o Édito de expulsão dos judeus em 1492.

Sinagoga de Belmonte

Sinagoga de Belmonte

Durante esse período, muitos dos judeus expulsos de Espanha, estabeleceram-se na raia, caso de Belmonte. As casas situavam-se, como era regra, fora das muralhas do castelo, no Bairro de Marrocos, onde ainda se vêem, gravados na pedra junto das portas, símbolos das profissões exercidas pelos membros da comunidade, como a tesoura que identifica o alfaiate.

Património de Belmonte

A riquesa patrimonial não se resume ao património judaico. Além do castelo e da Sinagoga Bet Eliahu, templo espiritual judaico, encontramos vários edificios e vestigios, de interesse arquitetónico e histórico, que atravessam várias épocas: Antigos Paços de Concelho, Câmara Municipal, Capelas de Santo António e do Calvário, Estátua de Pedro Alvares Cabral, Igreja de Santiago e Panteão dos Cabrais, Igreja Matriz, Pelourinho, Posto de Turismo, Pousada Convento de Belmonte, Solar dos Cabrais (atual Biblioteca e Arquivo Municipal) e a Villa da Quinta da Fórnea.

Museus de Belmonte

Apesar do posicionamento no interior de Portugal, a história de Belmonte surge, normalmente, associada à história dos Descobrimentos. Foi terra natal de Pedro Álvares Cabral, o navegador, que no ano de 1500 comandou a segunda armada à India, durante a qual se descobriu oficialmente o Brasil. É relevante visitar o Museu dos Descobrimentos de Belmonte.

Belmonte ocupa um lugar de destaque na história da Comunidade Judaica de Portugal e da Peninsula Ibéricas. O Museu Judaico conta-nos essa história.

O Rio Zêzere está intrinsicamente ligado a Belmonte. O Ecomuseu do Zêzere, instalado na antiga Tulha dos Cabrais deixa-nos percorrer, troço a troço, o percurso do rio Zêzere, desde a sua nascente até à foz.

Freguesias de Belmonte

Todas as freguesias têm algo de histórico para visitar. Constituída por quatro freguesias, Maçaínhas, Inguías, Caria e freguesia de Belmonte e Colmeal da Torre, em cada uma delas irá encontrar algo histórico e marcante.

No Colmeal da Torre encontrará o “Centum Cellas”, talvez o monumento mais enigmático de todos.  A funcionalidade deste monumento ainda não é totalmente conclusiva, mas segundo os últimos estudos, as ruínas constam da era Romana, do Séc. I A.C., e que na altura serviria como prisão e posteriormente como local para arrecadar várias matérias-primas.

Numa outra freguesia, Caria, encontrará um local de muitas tradições e lendas. Aqui poderá visitar a casa da Torre, o Solar Pessanha, os Palacetes dos Viscondes de Tinalhas, a Casa da Roda, das caras ou a Casa da Câmara. Motivos não lhe faltarão para se colocar a caminho.

Entre a freguesia de Caria e Belmonte, irá encontrar a Quinta da Fórnea, um local que não poderá perder por motivo nenhum. A Fórnea é um conjunto de ruínas romanas do Séc. II. As ruínas foram descobertas recentemente, mais concretamente em 1999, aquando de umas escavações para a criação de uma autoestrada.

Em Maçaínhas, outra das localidades belmontenses, foi criada uma Carta Arqueológica, designada Casal da Poeja, para que ficasse assinalada a descoberta de alguns fragmentos de cerâmica romana.

Poderia enumerar-lhe mais locais de visita, locais de repasto ou até de dormida, mas fico-me por aqui. Este são alguns dos motivos que o poderão trazer até Belmonte, e espero sinceramente ter-lhe aguçado a curiosidade para vir conhecer estes locais de muita história e encanto.