Pista de gelo e Vila Natal para visitar em Vouzela

Vouzela, terra plantada em pleno coração do centro de Portugal, é um concelho pertencente ao distrito de Viseu, mais concretamente à zona de Lafões. Privilegiada na sua localização, esta terra oferece bons acessos e a proximidade com centros urbanos (Aveiro e Viseu) é um fator abonatório. Mas quando se trata do Natal, nenhum local é longe ou perto demais. Poder desfrutar de um dia bem passado em família, com música de natal, e com toda a animação característica desta data é um privilégio.

Anjo- Figura natalícia

Anjo- Figura natalícia

E é pelo quarto ano consecutivo que a magia do Natal invade a vila de Vouzela. Aqui poderá levar as crianças à casa do Pai Natal, apreciar os concertos e espetáculos, encantar-se com as oficinas e workshops, e apaixonar-se pelo mercado de sabores. O evento contará ainda com inúmeras atrações como o comboio turístico e passeios de charrete, ou o divertidíssimo parque de diversões. A vila Natal tem uma programação de 16 dias de atividades para toda a família, como o Circuito da Luz, casas temáticas, ou o circuito dos presépios. Este último circuito aglomera cerca de duas dezenas de presépios, dispersos por vários espaços da vila, e que foram elaborados pela população e associações vouzelenses.

Cartaz Oficial de Vouzela Vila Natal

Cartaz Oficial de Vouzela Vila Natal

A entrada no recinto é livre e a visita poderá ser realizada de 10 a 25 de dezembro. Contudo, existem surpresas este ano, e a surpresa é a pista de gelo. Uma estrutura com cerca de 100 m2, onde aproximadamente 25 crianças poderão divertir-se em simultâneo. A iniciativa pretende marcar a diferença e atrair mais público. A permanência da pista de gelo ultrapassará a data de encerramento do Vouzela Vila Natal, ficará aberta ao público até ao dia 8 de janeiro.

Vouzela e os seus costumes

Contudo, se é sua intenção passar mais do que um dia por terras de Lafões, poderemos indicar-lhe algumas particularidades de Vouzela. De facto, esta é uma vila com origens remotas, existindo espalhados pelo concelho diversos legados, como é o caso do Castro da Senhora do Castelo, ou a herança do Império Romano. Vouzela também apresenta um interessante património arquitetónico, destacando-se a Igreja Matriz, o Pelourinho, a Igreja da Misericórdia, a Capela de São Frei Gil, bem como as várias casas Senhoriais e Solares, muito típicas da região.

Já em termos gastronómicos, em Vouzela poderá deliciar-se com a famosa vitela de Lafões ou o folar (pão confecionado normalmente na Páscoa, e que tem como base água, sal, ovos e farinha de trigo). Vouzela tem mantido as suas tradições ao longo do tempo, destacando-se ainda hoje o seu artesanato com trabalhos em linho, as colchas regionais, ou a cestaria.

 

Guarda é cidade natal e organiza a passagem de ano mais alta do país

A Guarda é a Cidade Natal entre 1 e 25 de dezembro. Durante 25 dias, a Praça Velha [Praça Luís de Camões] vai transformar-se na Cidade Natal, espaço de tradição e do imaginário associado à época natalícia. Neste espaço serão recriados diversos ambientes, cruzando o universo do Pai Natal e dos Duendes, com a enorme Árvore de Natal, com 13 metros, com a diversão da Pista de Gelo coberta, do colorido e glamoroso Carrossel Parisiense e os brinquedos insufláveis da Ilha dos Doces, apelando sempre ao imaginário dos visitantes.

A Sé Catedral, monumento emblemático da cidade, terá especial relevo neste cenário natalício, o ex-libris guardense vai estar especialmente iluminado, dando mais brilho às noites da Cidade Natal, reforçando o conceito da magia do Natal
Outra das novidades da edição de 2016 de Cidade Natal será “A Jornada dos Reis Magos” no Largo João de Almeida (junto à igreja da Misericórdia). A iniciativa conta com camelos e dromedários ao vivo e uma tenda Berbere, onde vão estar também o Baltasar, o Belchior e o Gaspar.

Com esta iniciativa, a Câmara Municipal da Guarda pretende proporcionar a todos os visitantes uma vivência impar da quadra natalícia, onde em especial os mais pequenos viajarão num ambiente mágico oferecido pelas diversas atividades desenhadas à sua medida, desde a Casa do Pai Natal, à Oficina dos Duendes.

A par destas iniciativas, o Município da Guarda avança com outras atividades e parcerias, tal como em edições anteriores. É o caso do “Jardim de Presépios”, no Jardim Frei Pedro e no Largo 1º de Dezembro, onde irão surgir várias instalações inspiradas no Presépio tradicional, instalações essas levadas a cabo por escolas, jardins-de-infância, e Instituições que integram a Rede Social da Guarda. Também durante a Cidade Natal, o Município promove com os parceiros da Rede Social a feira, “Aconchego de Natal” que decorrerá nas Instalações da Antiga Galeria Época, na Rua 31 de janeiro.
A Rua da Doçura (na Rua da Torre) volta a marcar presença neste Natal com doces da época e artesanato urbano a destacar-se nas diversas lojas que o Município abre propositadamente nesta época para dar mais vida ao centro desta Cidade Natal.

Destaque ainda para o Concurso de Montras de Natal que o Município promove a par com a ACG e cujo primeiro prémio terá o valor de 1000 euros, para a melhor vitrina.

Do programa natalício constam ainda os espetáculos de Gospel (um no TMG e outro na Sé Catedral), vários concertos de Natal (na Igreja da Misericórdia, Na Igreja da Guarda-Gare e no TMG), uma exposição no Museu, teatro (pela Fundação Vodafone) na Alameda de Santo André e o tradicional Madeiro de Natal na tarde de consoada que volta a arder no Largo João de Almeida, junto à igreja da Misericórdia e que contará, tal como em edições anteriores, com animação e DJ’s. Destaque também para o espetáculo “Ruca” para as crianças do ensino público e privado dos Jardins-de-infância e escolas de 1º CEB do concelho que decorrerá no TMG.

O programa encerra no Dia de Reis, 6 de janeiro, com o espetáculo das Janeiras “Ó da Casa!” no TMG.

A mais alta Passagem de Ano com Amor Electro

Mas as festividades não terminam no Natal, a Câmara Municipal da Guarda quer que a entrada em 2017 seja inesquecível e feita a partir do coração da “cidade mais alta” e por isso, no dia 31 de dezembro todos os caminhos vão dar à Praça Velha [Praça Luís de Camões].

As festividades marcadas para o centro histórico da Guarda prometem a maior das Passagens de ano da Região com um fantástico espetáculo de Videomapping, com o concerto de uma das melhoras bandas Pop nacionais da atualidade, os Amor Electro e ainda com a atuação do DJ Nuno Luz, pela madrugada dentro. O Município da Guarda desafia todos a vir brindar ao novo ano na mais alta das passagens de ano do país!


PROGRAMA
1 a 25 de dezembro
A Cidade Natal
Praça Luís de Camões /Largo João de Almeida
Neste espaço serão recriados diversos ambientes, cruzando o universo do Pai Natal, dos Reis Magos edos Duendes.

1 de dezembro a 6 de janeiro
Jardim de Presépios
Jardim Frei Pedro | Largo 1º de Dezembro
Em parceria com jardins de Infância e escolas do concelho, de Ensino básico, secundário, artístico, profissional, superior, dos setores público e privado.

1 a 25 de dezembro
Rua da Doçura
Rua da Torre
Os doces da época e artesanato urbano em diversas lojas da Rua da Torre, que o Município abre propositadamente nesta época, para dar mais vida ao centro histórico da cidade e a esta Cidade Natal.

1 a 30 de dezembro
Concurso de montras
Lojas da Cidade da Guarda
Em parceria com a ACG
1º Prémio para a Melhor Montra: 1 000 euros

2 de dezembro
Harlem Gospel Choir
Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda
21h30

4 a 18 de dezembro
Concertos de Natal
Espetáculos pelos vários grupos do Centro Cultural da Guarda, em várias freguesias rurais do concelho.

7 de dezembro
Concerto de Natal pelos alunos do Conservatório de Musica do Colégio de São José
Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda
21h30

10 e 11 de dezembro
Feira Social Aconchego de Natal
Instalações da Antiga Galeria Época, Rua 31 de janeiro
Em parceria com as Instituições da Rede Social da Guarda

10 de dezembro
Concerto Gospel
Sé Catedral da Guarda
18h30

11 de dezembro
Orfeão da Santa Casa da Misericórdia de Gouveia
Igreja Matriz da Guarda-Gare
21h30

14 de dezembro
Espirito de Natal “O Macaco do Rabo Cortado”
Pela Fundação Vodafone Portugal
Alameda de Santo André
14h00 e 16h00

15 de dezembro
Exposição “DEL JARDÍN DEL BOSCO” – Florencio Maíllo
Museu da Guarda
18h00

18 de dezembro
Orfeão do Centro Cultural da Guarda
Igreja da Misericórdia
21h30

19 de Dezembro
Concerto “Alma de Coimbra”
Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda
21h30

24 de dezembro
Madeiro de Natal 2016
Largo João de Almeida
16h00 – 19h00
Com Banda às Riscas, Sinos a rebate e DJ Natalício

3 e 4 de janeiro
As Janeiras + RUCA
TMG
Espetáculo para as crianças dos Jardins- de-infância e Escolas do 1.º CEB do ensino público e privado (cerca de 2 300 crianças)

6 de Janeiro
Ó da Casa – Espetáculo das Janeiras
Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda
21h30

Penela e o presépio encantado

Que o Natal é uma época especial, ninguém o nega. Mas também é certo que a essência e as tradições começam a ter menos impacto nas camadas mais jovens. Mas para contrariar esta tendência existem as iniciativas locais, câmaras municipais, associações, entre outras, que pretendem alterar o rumo desta propensão.

Um desses casos e um dos mais bem-sucedidos no nosso país é o de Penela. Com aproximadamente 6.000 habitantes, o concelho de Penela, no distrito de Coimbra, é um dos locais em Portugal que se vive a época natalícia com maior fervor e encanto. Falamos-lhe de uma das vilas mais antigas de Portugal, com foral datado de 1137, e que qualquer um de nós poderá usufrui do seu património histórico e religioso digno de ser contemplado, muito mais nesta época tão especial.

Este ano procede-se à 10.ª edição Penela Presépio, que tem início a 01 de dezembro e prolonga-se até dia 08 de janeiro, onde é possível visitar-se aquele que é maior presépio animado do país. Instalado na zona do castelo medieval, o presépio liga o tradicional às novas tecnologias, onde centenas de figuras animadas criam quadros representativos do presépio tradicional português. O presépio animado é composto por dezenas de figuras, criadas a 3D (três dimensões), em movimento, onde não faltam as principais personagens do presépio.

Contudo, em Penela é prezado um evento que demonstre o tradicional, onde a se valoriza os princípios regionais, onde existem menos luzes, onde o Pai Natal não entra e onde se recorre à mais clássica e ancestral demonstração do natal, o presépio.

Outro dos presépios, é o tradicional do Espinhal, que é feito por artesãos e representa a freguesia e o seu património. Este ano o presépio estará situado na zona histórica da vila, junto à Igreja Matriz, e como é um ponto de interesse e de diferenciação do Presépio Tradicional não poderá de maneira alguma passar por Penela sem o contemplar. Aqui estará representada a freguesia e o seu património, histórico, natural e paisagístico. Destacam-se, ali, as aldeias, as ribeiras e as casas senhoriais.

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Presépio tradicional pintado à mão

Durante toda a visita deparar-se-á com várias mostras de artes e ofícios, animação de rua, e mercadinhos de Natal, onde os produtos típicos da região estarão para venda num mercado de agricultura tradicional e familiar, onde também não falta o artesanato urbano e local.  Será possível ainda visitar as exposições de presépios expostos nos mais emblemáticos espaços do concelho: Igreja do Espinhal, Igreja da Misericórdia, Igreja da Sta. Eufémia e Igreja de S. Miguel.

As visitas ao presépio natal tem o preço de 2 euros, durante a semana, e 3 euros aos sábados, domingos e feriados, enquanto as crianças até aos 5 anos têm entrada gratuita, e as crianças 6 aos 12 anos pagam 1 euro em dias úteis e ao fim de semana 2 euros. Os preços incluem, além da visita ao Presépio Animado de Penela, a visita ao Presépio Tradicional do Espinhal.

Para os apaixonados por esta época tão querida e especial que é o Natal, não devem deixar de conhecer os locais que os transportam para o espírito e tradição natalícia.

Cogumelos e Míscaros, o ouro outonal da região beirã

Quando falamos no outono lembramo-nos automaticamente de quê? Das folhas das árvores a caírem, das castanhas assadas, dos dias solarengos, mas húmidos, e dos cogumelos que começam a brotar da terra. São pontos indissociáveis desta estação do ano apreciada por tantos portugueses.

cogumelos

Mas em cada época existem rituais próprios, como é o caso da procura do cogumelo no início do outono, iguaria muito apreciada em algumas regiões portuguesas, e que acabam por levar à confeção de pratos ou à criação de eventos relacionados com a especialidade.

A prática da “apanha” do cogumelo silvestre advém de tempos antiquíssimos, forma das populações se alimentarem, mais ainda como complemento das suas fontes de rendimento.

 

Cogumelo

Os cogumelos silvestres são alimentos com alto valor nutritivo e de um interesse gastronómico muito elevado. A diversidade de cogumelos permite a recolha de um numero considerável de espécies possíveis de serem ingeridas. Para poder desfrutar dos seus aromas e sabores, apenas tem de adquirir conhecimentos que permitam reconhecer as características morfológicas de cada espécie e assim, identificar de forma inequívoca os cogumelos que poderá apanhar.

Na região da Cova da Beira, mais concretamente no Alcaide (Fundão), realiza-se há sete anos o evento Míscaros – Festival do Cogumelo, com o objetivo de recuperar e promover este produto endógeno. Por terras fundanenses tudo é pensado para dar notoriedade ao cogumelo, desde a decoração das ruas, das ementas às bebidas, dos concertos ao teatro de rua, e dos passeios micológicos pela Serra da Gardunha às palestras.

Este ano bem como em alguns dos anos anteriores serão dinamizados vários “live cookings”, que contam com a presença de alguns chefes conhecidos, como é o caso do  Mário Rui Ramos, Duarte Batista, Joe Best, Miguel Gameiro e Leopoldo Calhau Garret.

Espetada de Cogumelos

Espetada de Cogumelos

Outras das atividades deste certame é a eleição do espaço mais criativo e do melhor prato de cogumelo feito pelos participantes do festival. Alguns dos pratos que aqui poderá provar são pratos típicos, como é o arroz de míscaros, a telha de cogumelos, as espetadas de cogumelos ou uma feijoada de cogumelos. Poderá ainda deliciar-se com licores deliciosos, compotas muito típicas e ainda doces característicos.

Se ficou interessado em conhecer um pouco mais sobre cogumelos ou míscaros, e se tem interesse, quem sabe em especializar-se nesta iguaria, este fim de semana, dias 18, 19 e 20 de novembro, são os dias indicados para para conhecer o Alcaide e este festival dos míscaros.

Os quentes e luminosos vinhos da Beira Interior

A região da Beira Interior alberga um combinado de cidades industrializadas e aldeias históricas, planaltos e serras, cascatas e lagoas. Região de forte procura turística, especialmente de inverno devido à queda de neve na grandiosa Serra da estrela.

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Lagoa na Serra da Estrela

Zona de uma riqueza inigualável, aqui encontra gastronomia de requinte, pontos turísticos ímpares, beleza natural generosa e um clima agreste e de extremos. O próprio clima é propício à criação de maravilhas regionais como é o vinho da Beira Interior.  Devido à qualidade e à importância social e económica dos vinhos das Beiras, implementaram-se algumas medidas para a proteção destes vinhos, nomeadamente no reinado de D. João I e de D. João III.

Todavia, os vinhos da região beirã têm sentido nos últimos anos uma enorme evolução, quer na produção, quer na própria imagem e dimensão dos vinhos.

A denominação da Região vitivinícola da Beira Interior é relativamente recente, datada de 1999, zona que estava dividida em três regiões, e que desde então passaram a sub-regiões: falamos da zona de Castelo Rodrigo, Pinhel e Cova da Beira. Esta junção veio alavancar a qualidade do vinho e afirmar assim a região como zona de excelência e qualidade na produção de vinhos. Esta menção acabou por colocar o vinho da Beira Interior no seu meritório lugar, junto das outras regiões vitivinícolas portuguesas.

Com especificidades muito próprias, esta área geográfica destaca-se pelas castas muito características, que no caso das brancas destacam-se a Síria, Fonte Cal, Malvasia e Arinto e, nas Tintas, a Rufete, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz.

É através da CVRBI – Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior que a marca ganha mais notoriedade. E uma das apostas nas marcas é a promoção em eventos como o certame “Beira Interior Vinhos & Sabores”. O salão de vinhos realiza-se já nos próximos dias 18, 19 e 20 de novembro, em Pinhel, e contará com degustações, provas gastronómicas, workshops e muitas outras atividades. Esta é claramente a melhor oportunidade para contactar diretamente com os produtores, e vendedores dos vinhos beirões, e conseguir vinhos que muitas vezes não se encontram à venda.

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Quinta dos Termos

Contudo, os vinhos da Beira Interior são mais do que conhecidos do público português. Alguns dos vinhos mais reconhecidos são: a QC- Quinta da Caldeirinha, o Entre Serras, passando pelo Piornos e Quinta dos Termos, a Quinta do Cardo, Quinta dos Currais e o Almeida Garrett.

Vinho do Porto, Vinho de Portugal

A história deste vinho ultrapassa fronteiras e está diretamente ligada à história de outros países europeus… Da França, da Holanda e mais fortemente da Inglaterra, ligada ao vinho do Porto desde que este assumiu essa designação…

Na época Medieval não há referências que permitam tirar grandes conclusões em relação ao cultivo da vinha, à produção de vinho no Douro e ao significado económico que esta atividade tinha para a região. Sabe-se porém que primeiramente o vinho desta região se designava de “Vinho de Lamego”, o que por ventura evidenciava, quer que a área cultivada não alastrava muito para além desta cidade, quer que a cidade do Porto não possuía até então o papel comercial de destaque que possuí atualmente.

Na segunda metade do século XVII, e voltando à relação histórica com os países europeus em cima referidos, ocorreram transformações decisivas que começaram a traçar a história do Vinho do Porto.

A guerra entre a França e a Holanda que iniciou em 1672, a crise dos vinhos franceses que se registava por essa altura e os atritos comerciais existentes entre França e Inglaterra (que culminaram no embargo deste último país ao mercado de vinhos franceses), fizeram voltar as atenções de Ingleses e Holandeses, especialmente dos primeiros, para o Vinho do Douro.

A primeira exportação registada de vinho para Inglaterra data de 1678, tendo sido designado o vinho exportado como “Vinho do Porto” e a região produtora “Alto Douro”. Esta última designação demonstra, segundo José Leite de Vasconcelos, a enorme influencia inglesa na economia desta região com a clara colocação de “Alto” antes de “Douro”.

Dentro de várias teorias existentes, que procuram explicar a origem do Vinho do Porto, a mais popular talvez seja a “descoberta acidental”: O tempo de ligação entre Portugal e Inglaterra era relativamente demorado na altura, e para proteger o vinho durante a longa viagem por mar era adicionada uma porção de aguardente vínica “fortificando-o” e impedindo que este se estragasse tão facilmente. Uma técnica já utilizada na altura dos descobrimentos.

Colheita de 1820 - D. Antónia Ferreira

Colheita de 1820 – D. Antónia Ferreira

Outra teoria possível coloca a famosa colheita de 1820 como reveladora de todo o potencial do vinho aqui produzido. As condições climatéricas excecionais que antecederam essa colheita colocaram a descoberto um vinho que ninguém sabia definir e todos procuravam: um vinho marcado por uma importante presença de açúcar e álcool, forte e encorpado. O Vinho do Porto.

A “fortificação” é atualmente uma ação recorrente no processo de produção do vinho do Porto, no entanto, a adição de aguardente ao vinho é efetuada antes que este termine de fermentar. As aguardentes vínicas têm um papel preponderante na elaboração do Vinho do Porto. Ao interromper a fermentação conservam o teor de açúcar e aumentam de forma substancial o teor de álcool.

Os vários tipos de Vinho do Porto

Os Vinhos do Porto podem ser divididos em duas categorias consoante o tipo de envelhecimento.

Ruby: São vinhos em que se procura suster a evolução da sua cor tinta, mais ou menos intensa, e manter o aroma frutado e vigor dos vinhos jovens. Neste tipo de vinhos, por ordem crescente de qualidade, inserem-se as categorias Ruby, Reserva, Late Bottled Vintage (LBV) e Vintage. Os vinhos das melhores categorias, principalmente o Vintage, e em menor grau o LBV, poderão ser guardados, pois envelhecem bem em garrafa. São especialmente aconselhados os LBV e os Vintage.

Tawny: Obtido por lotação de vinhos de grau de maturação variável, conduzida através do envelhecimento em cascos ou tonéis. São vinhos em que a cor apresenta evolução, devendo integrar-se nas sub-classes de cor tinto-alourado, alourado ou alourado-claro. Os aromas lembram os frutos secos e a madeira; quanto mais velho é o vinho mais estas características se acentuam. As categorias existentes são: Tawny, Tawny Reserva, Tawny com Indicação de Idade (10 anos, 20 anos, 30 anos e 40 anos) e Colheita. São vinhos de lotes de vários anos, excepto os Colheita, que se assemelham a um Tawny com Indicação de Idade com o mesmo tempo de envelhecimento. Quando são engarrafados estão prontos para serem consumidos. Aconselham-se os vinhos das categorias Tawny com Indicação de Idade e Colheita.

Tipos de Vinho do Porto - www.winesofportugal.info

Tipos de Vinho do Porto – www.winesofportugal.info

Os Barcos Rabelo – “Agora vai com Deus”

O Barco Rabelo é uma embarcação de fundo chato, propositadamente construída para navegar nos rápidos do Rio Douro. Rio que foi durante muitos anos a via de transporte privilegiada para o transporte das pipas de vinho provenientes das remotas quintas da região do Douro Superior e com destino ao Porto e Vila Nova de Gaia.

Barco Rabelo - Porto

Barco Rabelo – Porto

Até as barragens serem construídas nos anos 70, o Douro era um rio traiçoeiro profícuo em correntes rápidas e turbulentas. O trajeto entre gargantas e desfiladeiros era difícil e repleto de zonas perigosas, como por exemplo o traiçoeiro Cachão da Valeira onde se deu o famoso naufrágio que vitimou o Barão de Forrester, e durante séculos os produtores de vinho do Porto dependiam de um grupo de marinheiros altamente qualificados para transportar a carga preciosa desde o Alto Douro até às caves junto ao Atlântico.

Além de corajosos e experientes os marinheiros eram também homens de fé. Os barcos eram posicionados com grande precisão no rio e uma vez apanhados na corrente, nada mais lhes restava senão esperar e rezar que estes chegassem em segurança às águas calmas que se seguiam. Já aí, o mestre no quadrante libertava a direção do remo, tirava o seu boné e, em seguida, cruzava os braços exclamando: “Agora vai com Deus”.

D. Antónia Adelaide Ferreira – A Ferreirinha

ferreirinha-dona-antonia-ferreiraQuando falamos em Vinho do Porto temos necessariamente que referir o nome de D. Antónia Adelaide Ferreira, mais conhecida como A Ferreirinha. Nasceu na Régua em 1811 e faleceu na mesma cidade em 1896. Foi uma mulher determinada e corajosa que triunfou num sector dominado pelos homens.

São inúmeras as histórias de perseverança e filantropia desta empreendedora do séc. XIX. Histórias a que iremos com certeza voltar num próximo artigo dedicado à Ferreirinha.

O Vinho do Porto, o Rio Douro, a Região Demarcada, todas as fantásticas personagens, todas as excecionais histórias de vida que ajudaram a esculpir esta lindíssima e fascinante Região de Portugal são matéria prima para próximos artigos. O Douro fez sem dúvida o vinho mas o vinho também fez sem qualquer dúvida o Douro. Visitem.

A frescura e a vivacidade dos vinhos de Felgueiras

País reconhecido pelo vinho do Porto e da Madeira, Portugal é rico em bons vinhos, com mais de cem variedades de vinhos, que abraçam os vinhos de mesa, vinhos especiais, espumantes, e todos eles relacionados com a riqueza dos solos de onde são provenientes.

O vinho é associado a momentos de imenso prazer e degustação, bem como atos de conhecimento, no que toca à aprendizagem de castas, de sabores e de intensidade.

O vinho de Felgueiras, para muitos ainda desconhecido, é um símbolo da cidade que recebeu o sei primeiro foral em 1514, por D. Manuel I. Desde então, Felgueiras destila energia cultural e empresarial, sendo também símbolo de alguns dos melhores vinhos verdes produzidos na região.

Vinho Rosé

Vinho Rosé

Para conseguir abranger todos os produtores e disseminar melhor a qualidade dos vinhos foi criada a Cooperativa Agrícola de Felgueiras, Caves Felgerias Rúbeas, C.R.L., que já se tornou uma das maiores e mais antigas da Região Demarcada do vinho verde. Para ter perceção, existem cerca de 6200 associados e uma produção anual superior a 5.000.000 litros.

Por terras de Felgueiras existe um vinho muito peculiar, o característico “Espadeiro”. A casta Espadeiro é cultivada na região dos vinhos verdes e produz vinho muito apreciado. A casta é muito produtiva e os vinhos extraídos são acídulados e de cor rosada clara. Algumas adegas produzem vinho rosé a partir da casta Espadeiro.

Vinho Verde Terras de Felgueiras - Espadeiro

Vinho Verde Terras de Felgueiras – Espadeiro

O normal aroma destes vinhos distingue-se pelo discreto paladar a fruta com um toque de citrinas. No final da degustação, o sabor é ligeiramente doce e limonado, o que convida a que seja desfrutado em boa companhia, socialmente.

A marca “Terras de Felgueiras” e o espumante “Terras de Felgueiras”, estão disponíveis por todo o País, no comércio tradicional bem como nos grandes hipermercados.

Este vinho precisa de ser servido bem fresco e requer vivacidade, para que possa ser servido como aperitivo, no intervalo das refeições e, sobretudo, a acompanhar um belo prato quer de peixe quer de carne. Mas é de relembrar, que se os brancos evidenciam o sabor do marisco e peixes em geral, a maioria dos pratos de carne, como os rojões, a vitela ou as papas de sarrabulho, não dispensam a contração de um bom verde tinto.

Posto isto, considere uma visita a Felgueiras não apenas numa vertente gastronómica, mas também numa vertente mais cultural e lúdica, visto que o concelho tem tanto para lhe proporcionar.